Arquivo da categoria: Psicopedagogia

INDICAÇÕES DE LITERATURAS

OUVIR HISTÓRIAS PARA GOSTAR DE LER…

Para a estimulação do hábito de ler, nada melhor que ler para uma criança. Assim, ela percebe a importância da leitura em sua vida, bem como a leitura tem que ser significativa. Faço aqui uma lista de literaturas que podem contribuir para um momento de leitura. Todas estão disponíveis na Biblioteca Pública, algumas também encontramos nas bibliotecas escolares. Boas leituras…. Abraços e logo, logo colocarei outras!

Eliane Costa Kretzer

Gaspar, 22/06/2017.

HODGKINSON, Leigh; AQUINO, Gilda de (Tradutora). Cachinhos dourados e um urso apenas. São Paulo: Brinque-Book, 2013. 32 p. ISBN 978-85-7412-422-3. TOLMAN, Marije; TOLMAN, Ronald (Ilustrador). A casa na árvore. São Paulo: Brinque-Book, 2012. 32 p. ISBN 978-85-7412-406-3.
WILLS, Jeanne; ROSS, Tony (Ilustrador); AQUINO, Gilda de (Tradutora). Como é que eu era quando era bebê?. São Paulo: Brinque-Book, 2009. 28 p. ISBN 978-85-7412-101-7. PAGE, Gail; AQUINO, Gilda de (Tradutora). Como ser um bom cachorro. São Paulo: Brinque-Book, 2014. 32 p. ISBN 978-85-7412-444-5.
PAGE, Gail; AQUINO, Gilda de (Tradutora). Como ser um bom gato. São Paulo: Brinque-Book, 2014. 32 p. ISBN 978-85-7412-445-2. BRENMAN, Ilan; KARSTEN, Guilherme (Ilustrador). Conversa para pai dormir. São Paulo: Brinque-Book, 2012. 24 p. ISBN 978-85-7412-389-9.
GAY, Marie-Louise. Estela, estrela-do-mar. São Paulo: Brinque-Book, 2000. 32 p. ISBN 978-85-7412-056-0. KING, Stephen Michael; AQUINO, Gilda de (Tradutora). Folha. São Paulo: Brinque-Book, 2008. 66 p. ISBN 978-85-7412-242-7.
JOLLEY, Mike; ALLWRIGHT, Deborah (Ilustradora); AQUINO, Gilda de (Tradutora). Grunter, a história de um porco insuportável. 2. ed. São Paulo: Brinque-Book, 2012. 36 p. ISBN 978-85-7412-363-9. VILELA, Fernando. Os heróis do tsunami. São Paulo: Brinque-Book, 2011. 40 p. ISBN 978-85-7412-360-8.
CALLERY, Sean; DELL’ARINGA, Regina (Tradutora); ZIEWE, Jurgen (Ilustrador). Hieróglifos: desvende o mistério do gato dourado. São Paulo: Brinque-Book, 2010. 48 p. ISBN 978-85-7412-303-5. MUNDURUKU, Daniel; KOWALCZYK, Marie Therese (Ilustradora). Kabá Darebu. São Paulo: Brinque-Book, 2002. 28 p. ISBN 85-7412-086-3.
AUTUMN PUBLISHING; HINTON, Stephanie (Ilustradora); AQUINO, Gilda de (Tradutora). Monstros multicoloridos. São Paulo: Brinque-Book, 2015. n. p. ISBN 978-85-7412-522-0. TILLMAN, Nancy; AQUINO, Gilda de (Tradutora). Na noite em que você nasceu. São Paulo: Brinque-Book, 2008. n. p. ISBN 978-85-7412-234-2.
BRENMAN, Ilan; TOKITAKA, Janaina (Ilustradora). O nariz da Cris. São Paulo: Brinque-Book, 2011. 24 p. ISBN 978-85-7412-316-5. NEVES, André. Obax. São Paulo: Brinque-Book, 2010. 33 p. ISBN 978-85-7412-297-7.
FREEMAN, Tor; AQUINO, Gilda de (Tradutora). Olívia e o mau humor. São Paulo: Brinque-Book, 2013. 28 p. ISBN 978-85-7412-504-6.
Boas leituras…..
Anúncios

Algumas estratégias e orientações para auxiliar o desempenho escolar e a vida social de crianças e adolescentes com diagnóstico de TDAH

LEITURA (Rotta, Ohlweiler e Riesgo, 2006)

Importante: A maioria das dificuldades de leitura não está na decodificação e sim na compreensão leitora. Algumas destas estratégias auxiliam também para um processo de estudo dirigido, por exemplo para uma prova, em casa.

  1. Realização de leitura em voz alta;
  2. Ilustração de histórias lidas;
  3. Levantar aspectos importantes do texto que será lido auxiliando a seleção de informações importantes;
  4. Discutir o assunto antes da leitura, levantando conhecimentos prévios ou hipóteses sobre o assunto;
  5. Discutir depois da leitura, enfatizando o que foi relevante do texto;
  6. Utilizar gravadores. Podem ser usados tanto para a sia leitura como para a leitura de colegas.
  7. Estimular o uso de livros diversificados abordando o assunto de formas variadas.  A criança de forma geral, e principalmente a criança com TDAH, é bastante motivada por meio das novidades (usar vários suportes de texto).

ESCRITA (Rotta, Ohlweiler e Riesgo, 2006)

  1. Trabalhar com atividades de consciência fonológica (rimas, parlendas, trava-línguas, prolongamento dos sons das letras como F – V – J – G – X – Z – M – N – vogais);
  2. Incentivar a construção de narrativas orais que podem  favorecer a construção de esquemas que auxiliam a organização do pensamento e a coerência, conexão de ideias.

GRAFIA (Chamat, 2008)

Distúrbio de integração visual: não conseguem transmitir as informações visuais ao sistema motor, onde causa desorganização em momentos de escrita (expressão gráfica do pensamento). Algumas crianças/adolescentes com TDAH podem apresentar este distúrbio o que gera um traçado da letra lento, ou seja, demora ao copiar ou escrever uma redação. Nestes momentos a criança/adolescente tente a “fugir” desta atividade, pois se torna estressante, busca recursos como conversar, desenhar, entre outros. Sugere-se:

  1. Auxiliar a elaboração de resumos, esquemas e mapas mentais;
  2. Não cobrar cópias extensas e permitir o uso de gravador durante as explicações;
  3. Se possível até o uso de smartphones ou tablets, como suporte nas atividades de escrita (neste caso para as crianças/adolescentes que já estão completamente alfabetizados).

ORTOGRAFIA (Rotta, Ohlweiler e Riesgo, 2006)

  1. Permitir, sempre que possível, o uso do computador, smartphone, pois essa ferramenta assinala automaticamente os erros cometidos, auxiliando a identificação e a correção;
  2. Incentivar o uso do dicionário e a criação de um dicionário particular;
  3. Evitar correções de erros quando a atividade não se referir à Língua Portuguesa;
  4. Evitar o uso de canetas vermelhas poluindo as atividades com correções. Estas além de gerarem um sentimento de incompetência, não contribuem para a melhora da ortografia;
  5. Valorizar a escrita e explicitar seus ganhos e suas expectativas quando das aquisições futuras.
  6. Buscar estratégias diversificadas (por exemplo, com professores de Língua Portuguesa) para trabalhar a ortografia (trocas, inversões e omissões).

PRODUÇÃO DE TEXTO (Rotta, Ohlweiler e Riesgo, 2006)

Para garantir a construção de competências na produção textual é necessário atenção, planejamento e capacidade de execução, áreas afetadas para quem tem TDAH. Sugere-se:

  1. Realizar atividades que foquem a organização estrutural de cada gênero;
  2. Traçar passos para organizar o material escrito;
  3. Incentivar a releitura do material e a consequente revisão das produções;
  4. Ter claro que revisar não é corrigir ortografia e sim melhorar a produção, deixando o texto atrativo para o leitor. Tratar a produção como algo social dando função à atividade.

MATEMÁTICA

Uma das dificuldades do aluno com TDAH é a regulação da atenção, a exigência de mais memória e do planejamento, para que de um determinado problema a criança possa coordenar os passos/etapas e fazer a seleção correta dos dados, é onde se concentra a sua dificuldade na matemática. Algumas orientações se tornam significativas como:

  1. Solicitar que sejam grifados os passos ou o que é desejado da atividade;
  2. Oferecer uma folha de papel extra para que possa realizar os cálculos. O trabalho mental deve ser estimulado em algumas situações, mas nunca nas avaliações;
  3. Iniciar os assuntos rememorando conteúdos necessários à nova aquisição que será apresentada em seguida;
  4. Oferecer material concreto/manipulável;
  5. Incentivar a revisão das atividades e das avaliações.

Para finalizar é muito importante para o sucesso da criança que o trabalho de equilibração da atenção seja proporcionado tanto em âmbito escolar como familiar. Assim como, auxílio de profissionais que possam conduzir conflitos e condutas, juntamente com a família e escola numa perspectiva da criação de uma rotina estruturante, equilibrada e definida. A família estará contribuindo estabelecendo regras claras e objetivas. A criança com TDAH necessita do auxílio de um adulto equilibrado, que consiga ouvir e também estabelecer limites claros e ponderados, pois sabe-se que a paciência e a tolerância nestas crianças sempre está num limiar muito sutil. Pequenos erros e deslizes devem ser superados com tranquilidade para que não aconteça uma cobrança excessiva e um aumento na ansiedade e na frustração. A flexibilidade e o bom senso são cruciais no trabalho com as crianças/adolescentes com TDAH.

FONTE: SAMPAIO, Simaia (org), FREITAS, Ivana Braga. TRANSTORNOS E DIFICULDADES DE APRENDIZAGEM: entendendo melhor os alunos com necessidades educativas especiais. Rio de Janeiro: 2 ed. Wak Editora, 2014, p.155 – 161.

Eliane Costa Kretzer

Psicopedagoga do SEFOPPE

Gaspar, 22 de junho de 2017.

TDAH – Transtorno Déficit Atenção e Hiperatividade

Estudando sobre os alunos com TDAH, encontrei um excelente e explicativo material para professores, coordenadores e mesmo a família sobre como trabalhar e lidar com esses alunos. É muito importante que todos os profissionais que lidam com crianças com este transtorno pesquisem e tenham informações seguras para que o trabalho se desenvolva de forma qualitativa e dentro das expectativas de cada sujeito envolvido.

Acredito que somente com informação, aceitação e trocas de experiências vamos avançar no trabalho pedagógico com as crianças e adolescentes com dificuldades de aprendizagem. Boa leitura!

Abraços!

Eliane Costa Kretzer

Psicopedagoga – SEFOPPE – 2017.

Como o professor pode ajudar no tratamento do TDAH?

Qual o papel da escola e do professor no acompanhamento da criança com TDAH?

É comum os professores perguntarem: se o TDAH é uma doença, porque o professor teria responsabilidade sobre o tratamento? Como contribuir para a melhora da criança? Como descrito, o TDAH não é um transtorno que afeta apenas o comportamento da criança. Na medida em que afeta também a capacidade para a aprendizagem, a escola precisa assumir o importante papel de organizar os processos de ensino de forma a favorecer ao máximo a aprendizagem. Para tal, é necessário que direção, coordenações, equipe técnica e professores se unam para planejar e implementar as técnicas e estratégias de ensino que melhor atendam às necessidades dos alunos que se encontram sob sua responsabilidade.

O mais importante é o professor conhecer o TDAH e reconhecer que essas crianças necessitam de ajuda. Além disso, utilizar estratégias que possam ajudá-las no aprendizado também é fundamental para o tratamento dos portadores de TDAH.

A seguir apresentamos algumas estratégias para o manejo de crianças com TDAH no dia a dia da escola. Essas estratégias fazem parte de um programa de treinamento de manejo comportamental para professores e outros profissionais da área de educação, desenvolvido pela Equipe do Projeto Inclusão Sustentável (PROIS).

Recebendo e acolhendo o aluno:

• Identifique quais os talentos que seu aluno possui. Estimule, aprove, encoraje e ajude no desenvolvimento deste.

• Elogie sempre que possível e minimize ao máximo evidenciar os fracassos.

• O prejuízo à autoestima frequentemente é o aspecto mais devastador para o TDAH.

• O prazer está diretamente relacionado à capacidade de aprender. Seja criativo e afetivo buscando estratégias que estimulem o interesse do aluno para que este encontre prazer na sala de aula.

• Solicite ajuda sempre que necessário. Lembre-se que o aluno com TDAH conta com profissionais especializados neste transtorno.

• Evite o estigma conversando com seus alunos sobre as necessidades específicas de cada um, com transtorno ou não. Organizando o espaço – Monitorando o Processo

• A rotina e organização são elementos fundamentais para o desenvolvimento dos alunos, principalmente para os portadores de TDAH. A organização externa refletirá diretamente em uma maior organização interna. Assim, alertas e lembretes serão de extrema valia.

• Quanto mais próximo de você e mais distante de estímulos distratores, maior benefício ele poderá alcançar.

• Estabeleça combinados. Estes precisam ser claros e diretos. Lembre-se que ele se tornará mais seguro se souber o que se espera dele.

• Deixe claras as regras e os limites inclusive prevendo consequências ao descumprimento destes. Seja seguro e firme na aplicação das punições quando necessárias, optando por uma modalidade educativa, por exemplo, em situações de briga no parque, afaste-o do conflito porém mantenha-o no ambiente para que ele possa observar como seus pares interagem.

• Avalie diariamente com seu aluno o seu comportamento e desempenho estimulando a autoavaliação.

• Informe frequentemente os progressos alcançados por seu aluno, buscando estimular avanços ainda maiores.

• Dê ênfase a tudo o que é permitido e valorize cada ação dessa natureza.

• Ajude seu aluno a descobrir por si próprio as estratégias mais funcionais.

• Estimule que seu aluno peça ajuda e dê auxílios apenas quando necessário. Procedimentos facilitadores

• Estabeleça contato visual sempre que possível, isto possibilitará uma maior sustentação da atenção.

• Proponha uma programação diária e tente cumpri-la. Se possível, Transtorno de Déficit de Atenção e Hiperatividade (TDAH) 30 além de falar coloque-a no quadro. Em caso de mudanças ou situações que fogem a rotina, comunique o mais previamente possível.

• A repetição é um forte aliado na busca pelo melhor desempenho do aluno.

• Estimule o desenvolvimento de técnicas que auxiliem a memorização. Use listas, rimas, músicas, etc.

• Determine intervalos entre as tarefas como forma de recompensa pelo esforço feito. Esta medida poderá aumentar o tempo da atenção concentrada e redução da impulsividade.

• Combine saídas de sala estratégicas e assegure o retorno. Para tanto, conte com o pessoal de apoio da escola.

• Monitore o grau de estimulação proporcionado por atividade. Lembre-se que muitas vezes o aluno com TDAH pode alcançar um grau de excitabilidade maior do que o previsto por você, criando situações de difícil controle.

• Adote um sistema de pontuação. Incentivos e recompensas, em geral, alcançam bons resultados.

Integrando ao grupo:

• A integração ao grupo será um fator de crescimento. Esteja atento ao grau de aceitação da turma em relação a este aluno.

• Identifique possíveis parceiros de trabalho. Grandes conquistas podem ser obtidas através do contato com os pares. • Sua capacidade de liderança, improviso e criatividade são ferramentas que podem auxiliar no nivelamento da atenção do grupo e em especial do aluno com TDAH. Use o humor sempre que possível.

Realizando tarefas, testes e provas:

• As instruções devem ser simples. Tente evitar mais de uma consigna por questão.

• Destaque palavras-chaves fazendo uso de cores, sublinhado ou negrito.

• Estimule o aluno destacar e sublinhar as informações importantes contidas nos textos e enunciados.

• Evite atividades longas, subdividindo-as em tarefas menores. Reduza o sentimento de “eu nunca serei capaz de fazer isso”.

• Mescle tarefas com maior grau de exigência com as de menor.

• Incentive a leitura e compreensão por tópicos.

• Utilize procedimentos alternativos como testes orais, uso do computador, máquina de calcular, dentre outros.

• Estimule a prática de fazer resumos. Isto facilita a estruturação das ideias e fixação do conteúdo.

• Oriente o aluno a como responder provas de múltiplas escolhas ou abertas.

• Estenda o tempo para a execução de tarefas, testes e provas.

• A agenda pode contribuir na organização do aluno e na comunicação entre escola e família.

• Incentive a revisão das tarefas e provas. Contato com a família, deveres e trabalhos em casa

• Mantenha constante contato com a família. Tente utilizar as informações fornecidas por ela com o objetivo de compreender o seu aluno melhor.

• Procure nesses encontros enfatizar os ganhos e não apenas pontuar as dificuldades.

• Evite chamá-los apenas quando há problemas.

• Ajude seu aluno a fazer um cronograma de tarefas e estudos de casa. Isto poderá contribuir para minimizar a tendência a deixar tudo para depois.

• Tente anunciar previamente os temas e familiarizar o aluno com situações que posteriormente serão vivenciadas.

• Estimule a atividade física.

Como saber mais sobre TDAH?

Atualmente, já existe bastante material disponível sobre TDAH em formato de livros, livretos, aulas em vídeo, palestras na internet. A quantidade de informações em todas as fontes de comunicação é tão grande que é preciso ter muito cuidado ao tentar se familiarizar com um tema. Esse cuidado é necessário principalmente em relação a duas questões: – Como determinar se algo publicado (em revistas, livros, jornais, rádio, TV, internet, etc.) realmente traz informações confiáveis? – Mesmo sendo confiável, como selecionar o que ler e/ou estudar considerando que o volume de informações é cada vez maior e o tempo para aperfeiçoamento cada vez menor? Em relação à primeira pergunta, é importante estar atento às qualificações do interlocutor. Para páginas de internet, o ideal é buscar sempre os sites ou as páginas que representam uma associação, tais como o site da Associação Brasileira de Déficit de Atenção, ABDA (www.tdah.org). Caso queira saber informações sobre a confiabilidade de outros sites ou se existe fundamentação científica para qualquer afirmação que tenha lido ou que tenha ouvido em uma entrevista, é possível escrever um e-mail para a ABDA perguntando a opinião da associação sobre o assunto. Lembre que informação é um pouco como alimento, ou seja, dependendo da qualidade nos fará bem ou mal.

FONTE:http://www.tdah.org.br/images/stories/site/pdf/tdah_uma_conversa_com_educadores.pdf.

Acesso em 21/03/2017, às 13h53min.

MEU ALUNO É DISLÉXICO, O QUE FAZER?

Psicopedagogia: como ela pode ajudar?

Write by Eliane Costa Kretzer – Psicopedagoga

ALGUMAS DICAS E ORIENTAÇÕES PARA A ESCOLA NO TRABALHO COM ALUNOS DISLÉXICOS

  • Favorecer a comunicação usando frases curtas e concisas sem utilizar linguagem simbólica ou metafórica.

  • Colocar o aluno perto do professor e do quadro; supervisionar seus trabalhos e a sua organização.

  • Favorecer o diálogo certificando-se que haja uma compreensão do objetivo da aula, do raciocínio desenvolvido e dos fatos apresentados.

  • Não economizar tempo para constatar se ficaram claros os conceitos trabalhados: quando, onde e como?

  • Observar a integração entre os colegas, pois poderá ocorrer rejeição em provas em dupla e apresentação de trabalhos.

  • Ajudar no fortalecimento de seu ego e na construção de sua auto-estima.

  • Elaborar aulas com material visual, claro e criativo que chame a atenção.

  • Criar dicas, atalhos e associações para facilitar sua fixação de conteúdos.

  • Apresentar o conteúdo em partes de maneira indutiva e clara, evitando abordagens globais e dedutivas.

  • Usar sempre mais de um canal de aprendizagem e informação, com diferentes recursos audiovisuais.

  • Permitir o uso de gravador e recursos de informática.

  • Trabalhar com o erro de forma construtiva e não punitiva.

  • Elaborar exercícios com erros produzidos deliberadamente.

  • Valorizar sempre o desempenho individual e “tolerar” as dificuldades gramaticais como pontuação, acentuação e caligrafia.

  • Sempre que possível preparar avaliação individualizada com esquemas e gráficos que permitam a apresentação de seu conhecimento.

  • Dar oportunidade de refazer a prova oralmente.

  • Proporcionar interprete nas provas escritas.

Fonte: Estas são algumas das recomendações divulgadas pela Associação de Dislexia de Santa Catarina – Rua Desembargador Pedro Silva,79 – Blumenau – SC – CEP89012-150 – (47) 3222-0097)

Eliane Costa Kretzer – Setembro de 2013

Família e Escola: Focos Distintos na Aprendizagem

Família e Escola constituem Instituições fundamentais no desenvolvimento do comportamento humano. No entanto, a participação de cada Instituição como elemento formador em diversos contextos que aflijem o caráter humano ganha contornos obscuros, de modo que suas ações muitas vezes se interseccionam ou até se invertem, justificando críticas contundentes e, talvez, demandando profundas transformações.

O tema tem sido amplamente debatido por críticos e estudiosos de diversas áreas do conhecimento e setores da sociedade, conforme será abordado brevemente nos 2 trabalhos a seguir. O primeiro trabalho foi desenvolvido na Universidade de Brasília e publicado em 2007 no periódico Paidéia, produção do Programa de Pós-Graduação em Psicologia da Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras da Universidade de São Paulo. O segundo trabalho foi desenvolvido na Universidade Federal da Paraíba e publicado em 2004, no periódico Cadernos de Pesquisa, produção da Fundação Carlos Chagas.

1. A Família e a Escola como Contextos de Desenvolvimento Humano

Maria Auxiliadora Dessen e Ana da Costa Polonia

A escola e a família compartilham funções sociais, políticas e educacionais, na medida em que contribuem e influenciam a formação do cidadão (Rego, 2003). Ambas são responsáveis pela transmissão e construção do conhecimento culturalmente organizado, modificando as formas de funcionamento psicológico, de acordo com as expectativas de cada ambiente. Portanto, a família e a escola emergem como duas instituições fundamentais para desencadear os processos evolutivos das pessoas, atuando como propulsoras ou inibidoras do seu crescimento físico, intelectual, emocional e social. Na escola, os conteúdos curriculares asseguram a instrução e apreensão de conhecimentos, havendo uma preocupação central com o processo ensino-aprendizagem. Já, na família, os objetivos, conteúdos e métodos se diferenciam, fomentando o processo de socialização, a proteção, as condições básicas de sobrevivência e o desenvolvimento de seus membros no plano social, cognitivo e afetivo.

Compreendendo as Relações Família-Escola

Para compreender os processos de desenvolvimento e seus impactos na pessoa, é preciso focalizar

tanto o contexto familiar quanto o escolar e suas inter-relações (Polonia & Dessen, 2005). Por exemplo, o planejamento de pesquisa sobre violência na adolescência deve incluir tanto as variáveis familiares, que podem contribuir significativamente para a manutenção de comportamentos anti-sociais na escola, quanto as relacionadas diretamente com a escola, como o baixo desempenho acadêmico, que, aliadas aos fatores interpessoais, acentuam este problema (Ferreira & Marturano, 2002; Oliveira & cols., 2002). Outros exemplos bastante conhecidos são a evasão e repetência escolar. Sabe-se que a estrutura familiar tem um forte impacto na permanência do aluno na escola, podendo evitar ou intensificar a evasão e a repetência escolar. Dentre os aspectos que contribuem para isto estão as características individuais, a ausência de hábitos de estudo, a falta às aulas e os problemas de comportamento (Fitzpatrick & Yoles, 1992). Em todos estes fatores, a família exerce uma poderosa influência. Embora um sistema escolar transformador possa reverter esses aspectos negativos, faz-se necessário que a escola conte com a colaboração de outros contextos que influenciam significativamente a aprendizagem formal do aluno, incluindo a família (Fantuzzo, Tighe & Childs, 2000).

É importante ressaltar que a família e a escola são ambientes de desenvolvimento e aprendizagem humana que podem funcionar como propulsores ou inibidores dele. Estudar as relações em cada contexto e entre eles constitui fonte importante de informação, na medida em que permite identificar aspectos ou condições que geram conflitos e ruídos nas comunicações e, conseqüentemente, nos padrões de colaboração entre eles. Nesta direção, é importante observar como a escola e, especificamente, os professores empregam as experiências que os alunos têm em casa. Face à leitura, é muito importante que a escola conheça e saiba como utilizar as experiências de casa para gerir as competências imprescindíveis ao letramento. A interpretação de textos ou a escrita podem ser estimuladas pelos conhecimentos oriundos de outros contextos, servindo de auxílio à aprendizagem formal.

Os laços afetivos, estruturados e consolidados tanto na escola como na família permitem que os indivíduos lidem com conflitos, aproximações e situações oriundas destes vínculos, aprendendo a resolver os problemas de maneira conjunta ou separada. Nesse processo, os estágios diferenciados de desenvolvimento,

característicos dos membros da família e também dos segmentos distintos da escola, constituem fatores essenciais na direção de provocar mudanças nos papéis da pessoa em desenvolvimento, com repercussões

diretas na sua experiência acadêmica e psicológica; dependendo do nível de desenvolvimento e demandas do contexto, é possibilitado à criança, quando entra na escola, um maior grau de autonomia e independência comparado ao que tinha em casa, o que amplia seu repertório social e círculo de relacionamento. Neste caso, a escola oferece uma oportunidade de exercitar um novo papel que propiciará mecanismos importantes para o seu desenvolvimento cognitivo, social, físico e afetivo, distintos do ambiente familiar.

Apesar de a escola desenvolver aspectos inerentes à socialização das pessoas e ser responsável pela construção, elaboração e difusão do conhecimento, ela vem passando por crises vindas do cotidiano, que geram conflitos e descontinuidades como a violência, o insucesso escolar, a exclusão, a evasão e a falta de apoio da comunidade e da família, entre outros. Neste caso, o cenário político passa a exercer uma influência preponderante para a solução das crises, que extrapolam o cotidiano das escolas.

2. Modos de Educação, Gênero e Relações Escola-Família

Maria Eulina Pessoa de Carvalho

Uma escola pública de João Pessoa teve a idéia de elaborar uma cartilha para mostrar à comunidade escolar como o envolvimento dos pais na aprendizagem dos filhos, em casa e na escola, pode melhorar seu desempenho, na escola e na vida; e elaborou uma história em quadrinhos com três episódios. O primeiro episódio traz uma conversa entre vizinhas sobre os cuidados com os filhos. Maria diz a Luíza que, mesmo trabalhando o dia inteiro e mesmo sem saber ler, ela pode arranjar um tempinho e sentar com o filho para ver o dever de casa. Maria também dá a sua comadre a receita para menino muito “danado” na sala de aula, ou seja, para indisciplina escolar: depois que passou a dar mais atenção a seu menino em casa e a participar da vida dele na escola, ele melhorou muito. O segundo episódio se passa na sala de professores e baseia-se no pressuposto que quem tem tempo para procurar a professora é a mãe. Por isso, a professora pede a ajuda da mãe e não do pai:

Mãe: Professora Dalva, por que a senhora não está mandando o dever de casa pro

meu menino fazer?

Professora: Porque ele tem levado a tarefa de casa e volta sempre do mesmo jeito,

sem fazer.

Mãe: E o que eu faço se eu nem sei ler?

Professora: Quem tem de fazer a tarefa é ele. Mas a senhora pode sentar com ele na

hora de fazer a tarefa. Isso pode ajudá-lo a gostar mais de estudar e de fazer as

tarefas.

Mãe: E é?

Professora: Sim, Dona Luíza. A senhora pode ajudar muito o seu filho na escola se

cuidar do material escolar, da roupa e da comida dele.

Mãe: Mas pra que tudo isso?

Professora: Para seu filho se sentir mais querido e dessa forma ter mais interesse pela

escola. Eu lhe garanto que ele vai aprender muito mais e melhor.

O terceiro episódio mostra uma reunião de pais na escola. Há pais e mães, mas os pais estão em primeiro plano e quem fala é um pai que pede esclarecimentos à professora sobre obstáculos à aprendizagem. A professora, então, explica como os pais devem colaborar para superar os obstáculos.

O que esses episódios, retratados na cartilha, têm a ver com as relações de gênero? Para responder a essa pergunta, consideremos antes outras questões que configuram o contexto em que se situam esses episódios:

1. Por que o envolvimento dos pais na educação escolar é necessário e desejável?

2. Por que as professoras necessitam da cooperação dos pais para desempenhar seu trabalho pedagógico com

sucesso?

3. Por que as escolas estão chamando os pais a se envolverem na aprendizagem dos alunos e alunas em casa e na escola?

4. Quais as implicações da atual política educacional de incentivo à participação dos pais na educação escolar?

 

 

A Política de Envolvimento dos Pais na Escola

 

Do ponto de vista da escola, envolvimento ou participação dos pais na educação dos filhos e filhas significa comparecimento às reuniões de pais e mestres, atenção à comunicação escola-casa e, sobretudo, acompanhamento dos deveres de casa e das notas. Por outro lado, para os pais/mães, interessar-se pela educação dos filhos e filhas não significa cuidar apenas da parte acadêmica, isto é, do sucesso escolar, pois a educação, do ponto de vista da família, comporta aspectos e dimensões que não estão incluídas no currículo escolar. Ocorre que família e pais não são categorias homogêneas e as relações entre famílias e escolas, pais/mães (e outros responsáveis) e professoras/professores também comportam tensões e conflitos. Qual a explicação para a variação no envolvimento dos pais na escola? Se concordarmos, como algumas pesquisas estão sugerindo, que a participação dos pais na escola está relacionada ao desempenho escolar do estudante, ou seja, quanto maior o envolvimento destes na educação dos filhos e filhas, maior o aproveitamento escolar, temos de considerar as condições materiais e culturais das famílias e a disponibilidade de seus responsáveis. Pois há muito sabemos, embora haja exceções, que o fracasso escolar atinge as crianças das famílias mais pobres das escolas públicas mais carentes.

As Relações Política-Escola na Atual Política Educacional: Do Modelo de Delegação ao Modelo de Parceria.

No passado, a política educacional não englobava direta e explicitamente a educação familiar, subordinando a educação doméstica ao currículo escolar via dever de casa. Atualmente, porém, a política educacional está expandindo seu raio de ação para além da escola, formalizando as interações família–escola na escola pública, especificando a contribuição educacional da família para o sucesso escolar, e regulamentando as relações família–escola de acordo com um modelo particular de participação dos pais/mães na escola.

De acordo com o modelo tradicional de delegação, a divisão de trabalho educacional entre escola e família era clara: a tarefa da escola era a educação acadêmica, enquanto a da família era a educação doméstica – assim, as professoras não deveriam esperar da família mais do que cuidados físicos e emocionais para que a criança chegasse à escola preparada para aprender o currículo escolar. A tão falada crise da família – divórcios, pais e mães estressados, mães trabalhadoras, mães chefes-de-família sobrecarregadas, falta de tempo (em quantidade e qualidade) para convivência com os/as filhos/as – reduziu seu papel no cuidado físico e emocional, bem como na disciplina social e moral, requerendo das escolas a extensão de seu tradicional papel de instrução acadêmica e cívica a fim de englobar vários aspectos de assistência biopsicossocial. Nesse contexto, é inconcebível atribuir à família um papel na educação acadêmica. Parece razoável esperar que os pais/mães sejam parceiros, aliados das professoras, pois desejam o melhor para seus filhos/as – neste caso, o sucesso escolar. Porém, isso supõe certas condições (tempo, valorização da escola, interesse acadêmico, familiaridade com as matérias escolares e habilidades para ensinar o dever de casa, por exemplo), de que nem todas as famílias e nem todos os adultos responsáveis por crianças dispõem. Ademais, parceria supõe igualdade, e as relações escola–família são relações de poder em que as/os profissionais da educação (pesquisadoras/es, gestoras/es, especialistas, professoras/es) têm poder sobre os leigos (pais/mães).

A produção do fracasso escolar é intrínseca ao funcionamento de um sistema educacional que recebe indivíduos de origens culturais diversas, mas implicitamente adota um único modelo cultural. Conseqüentemente, políticas que não levam em conta esses mecanismos reprodutivos necessariamente promovem desigualdade educacional e social, ao fazerem demandas à família (via dever de casa), atribuindo aos pais/mães a responsabilidade pelo sucesso escolar dos filhos/filhas.

Diante da desigualdade social e educacional, a tarefa da escola é ensinar um currículo básico comum no seu próprio tempo-espaço e com seus próprios recursos, compensando (com tratamento pedagógico apropriado) as diferenças culturais (familiares, étnicas, de classe) dos estudantes e limitando a avaliação àquilo que o currículo escolar oferece explícita e sistematicamente. Ao invés de demandar a contribuição da família para a aprendizagem do currículo escolar, a escola deveria investir em práticas pedagógicas efetivas (Carvalho, 2000). Portanto, é preciso clarificar o significado da desejável parceria família–escola, pois parceria (mesmo reconhecendo-se que as relações família–escola são de interdependência) não significa identidade de atribuições.

Escrita cursiva…..qual o seu valor ?

Com a necessidade constante  de adaptação às novas exigências ambientais, novas tecnologias surgem. E, certamente, nossa necessidade de adaptação a elas. Consequentemente, o sucesso do avanço tecnológico nos torna dependentes desses inventos, nos obrigando a abandonar ou colocar em segundo plano habilidades até então consideradas indispensáveis para a nossa vivência em sociedade.

Nesta segunda-feira, 18 de Julho de 2011, o Jornal da Ciência, ferramenta de divulgação científica da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC), publicou uma nota sobre o abandono do ensino da escrita cursiva, tendência que já pode ser observada em Escolas de diversos Estados americanos.

Siga a notícia:

O estado de Indiana, localizado no Meio-Oeste americano, acabou com a exigência de que as suas escolas ensinem a escrita cursiva, aquele estilo de escrever em que as palavras são formadas com letras emendadas pelas pontas. Com isso, juntou-se a uma onda crescente nos Estados Unidos de privilegiar no currículo outras habilidades hoje consideradas mais úteis, como digitar textos em teclados dos computadores.

Com a mudança, Indiana alinha-se a um padrão comum de ensino adotado por 46 Estados americanos. Nele, não há nenhuma menção à escrita cursiva, mas recomenda-se o ensino de digitação. É um reconhecimento de que, com as novas tecnologias, como computadores e telefones inteligentes, as pessoas cada vez menos precisam escrever de forma cursiva, seja no trabalho ou nas suas atividades do dia-a-dia. Basta aprender a escrever com a mão – exigência que ainda faz parte do currículo de Indiana e dos padrões comuns adotados pelos estados – seja com letras de forma, cursiva ou um misto dos dois estilos.

Também é um reflexo do que muitos nos Estados Unidos veem como uma sobrecarga no currículo escolar, com tempo sempre insuficiente para ensinar disciplinas consideradas fundamentais para passar nos testes usados para admissão nas faculdades, como matemática e leitura de textos. Pesquisas nacionais sobre como o tempo é gasto nas salas de aula mostram que 90% dos professores da 1ª a 3ª séries do ensino primário dedicam apenas 60 minutos por semana ao desenvolvimento da escrita com a mão.

A tendência de abandonar o ensino da escrita cursiva é vista com preocupação por parte dos americanos. Para alguns, as novas gerações terão mais dificuldades para fazer atividades básicas, como preencher e assinar cheques. Outros ponderam que os jovens não serão capazes de ler a declaração de independência no original, toda escrita de forma cursiva, num argumento que apela para o patriotismo americano.

Richard S. Christen, professor da Escola de Educação da Universidade de Portland, no Estado do Oregon, é um dos que dizem que as escolas devem pensar duas vezes antes de suspender o ensino da escrita cursiva, embora ele considere cada vez mais difícil defender a tese de que essa é uma habilidade com valor prático.

Divulgação – Richard Christen, professor da Escola de Educação da Universidade de Portland. “Se você voltar ao século XVII ou XIX, seria impossível fechar negócios sem os escrivãos, que foram cuidadosamente treinados na técnica de escrever com as mãos para registrar os fatos”, disse Christen ao Valor. “Mas hoje o valor prático disso é bem menor.”

Ele pondera, porém, que a escrita cursiva também tem um valor estético em si mesma e diz respeito a valores importantes como civilidade. “A escrita cursiva é um jeito de as pessoas se comunicarem com as outras de forma elegante, valorizando a beleza”, afirma. “Essa é uma chance para as crianças fazerem algo com suas mãos todos os dias, prestando atenção para os elementos de beleza, como formas, contornos e linhas”, afirma. Além disso, estimula as crianças a prestarem atenção na forma como se dirigem e se comunicam com as outras pessoas.

Para o professor Steve Graham, da Universidade de Vanderbilt, uma das maiores autoridades americanas no assunto, a questão central não é necessariamente a escrita cursiva, mas sim preservar o espaço para a escrita à mão de forma geral no currículo.

Apesar de todo o barulho em torno das novas tecnologias, a realidade, afirma ele ao Valor, é que hoje a maioria das crianças nas escolas americanas ainda faz os seus trabalhos em sala de aula com as mãos, pois de forma geral ainda não existe um computador para cada uma delas. Num ambiente como esse, a boa grafia é crucial para o bom aprendizado e para o sucesso na vida acadêmica, ainda que no mundo fora das salas de aula predominem computadores, iPads e telefones inteligentes.

Pesquisa recente conduzida por Graham mostra que, se trabalhos escolares ou provas são apresentados numa grafia sofrível, as notas tendem a ser mais baixas, a despeito do conteúdo. “As pessoas formam opiniões sobre a qualidade de suas ideias com base na sua qualidade de sua escrita”, afirma Graham.

Nesse estudo, alunos escreveram redações, que foram submetidas em seguida a avaliações com notas entre 0 e 100. O passo seguinte foi pegar redações medianas, que tiveram nota 50, e reproduzir seu conteúdo em duas versões, uma com grafia impecável e outra com grafia sofrível, embora legível. Submetidas a uma nova avaliação, a conclusão é que a mesma redação mediana ganhou notas muito boas quando escrita com letras caprichadas e notas inferiores quando escritas com garranchos.

A habilidade de escrever à mão também tem influência sobre a capacidade da criança de produzir bons conteúdos na escrita. Velocidade é crucial. Quando a escrita se torna um processo automático, afirma Graham, as ideias fluem mais rapidamente do cérebro para o papel e, portanto, não se perdem no meio do caminho. Pessoas bem treinadas para escrever com as mãos fazem tudo de forma automática e não precisam pensar sobre o que ocorre com o lápis – e sobram assim mais neurônios para serem dedicados a coisas mais importantes, como refletir sobre a mensagem, organizar as ideias e formar frases e parágrafos.

São bons argumentos para não se abandonar o ensino da escrita à mão pela digitação. Mas qual técnica é mais importante: a cursiva ou a simples escrita à mão? Graham diz que a escrita em letras de forma é em geral mais legível do que a cursiva, mas a escrita cursiva é mais rápida do que a escrita em letra de forma. “As diferenças não são grandes o suficiente para justificar muito debate”, disse. “O importante é ter um estilo de escrita à mão que seja ao mesmo tempo legível e rápido.”

Mas no futuro, reconhece ele, o ensino da escrita à mão pode se tornar menos importante, à medida que ter um computador para cada aluno se torne algo universal. O ensino de digitação, por outro lado, torna-se cada vez mais relevante. “Eles são muito bons com seus telefones, com o twitter, mas não com os computadores”, afirma Graham.

No Brasil, educadores se dividem sobre benefícios – Pais decepcionados com o aprendizado dos filhos poderiam dizer que tudo não passa de um debate bizantino sobre se é melhor tentar decifrar garranchos escritos com letra de médico ou torpedos criptografados numa novilíngua que aboliu as vogais. De qualquer forma, as opiniões se dividem também entre os educadores brasileiros quando se discute a validade de um abandono do ensino da escrita em cursivo.

Para Telma Weisz, doutora em psicologia da aprendizagem e do desenvolvimento pela Universidade de São Paulo (USP) e supervisora pedagógica do Programa Ler e Escrever, do governo do Estado de São Paulo, “a escrita manuscrita é um resto da Idade Média”. “Do ponto de vista da aprendizagem, não há perda em não usar a manuscrita”, afirma. Segundo ela, a escrita cursiva ajuda o aluno a memorizar a forma ortográfica das palavras, mas um programa de computador processador de texto tem a mesma eficiência, “com mais recursos, aliás”.

Weisz diz que o problema não é desprezar a escrita cursiva e mergulhar de vez na digitação, e sim que “no Brasil não há condições de se fazer isso. Temos escolas onde não há luz, que dirá escola onde todos os alunos tenham um computador”.

João Batista Araujo e Oliveira, doutor em pesquisa educacional pela Florida State University (EUA) e presidente do Instituto Alfa e Beto, ONG dedicada à alfabetização, discorda de Weisz. “Há pesquisas que comparam crianças que aprenderam com a letra cursiva e que aprenderam no teclado, e quem escreve mais à mão grava mais a forma ortográfica da palavra”, diz.

No entanto, Oliveira não tem uma posição radical contra a política adotada pela maioria dos Estados americanos, de não obrigar o ensino do cursivo. “Essas coisas mudam mesmo, é inevitável. Sempre que você tem uma tecnologia nova você procura um meio mais eficiente de avançar. A letra cursiva, por exemplo, é um grande avanço em relação à letra de forma, porque o aluno não tira o lápis do papel.”

Oliveira acredita que antes de se fazer uma mudança dessas é preciso pensar nos “efeitos colaterais”, dando como exemplo a tabuada e a máquina de calcular. “Para pagar o táxi, o cafezinho, você tem que fazer conta de cabeça. Quem só ensina usando a calculadora priva o cidadão de uma competência que dá uma eficiência social muito grande.”

Luis Marcio Barbosa, diretor-geral do colégio Equipe, de São Paulo, descarta adotar a política na sua escola. “Há um conjunto de aprendizado que vem junto com o aprendizado da escrita cursiva que é imprescindível para o desenvolvimento das crianças, que tem a ver com a motricidade, com a organização espacial.” E, além de tudo, diz, “as crianças podem aprender as duas coisas, não precisa ser uma em detrimento da outra.”

(Valor Econômico)

Dislexia: Visões ético-políticas

AUTORES – Lúcia Masini e Cláudia Perrotta

Já há algum tempo, o termo dislexia deixou de circular apenas entre especialistas e vem figurando na mídia em geral: jornais impressos, rádio, revistas, propagandas na TV .

Dislexia tem origem grega, sendo a contração de dis = difícil, prejudicada, e lexis = palavra. Palavra difícil, geradora de muitas polêmicas e que exige um posicionamento ético muito claro por parte dos profissionais envolvidos com pessoas que recebem esse diagnóstico. Fonoaudiólogos, psicopedagogos, psicólogos, cada vez mais, tratam de crianças, adolescentes e até adultos considerados disléxicos, muitos deles encaminhados pelas instituições escolares por professores que suspeitam do distúrbio.

Inclusive, recentemente circulou na Câmara Municipal de São Paulo projeto de lei (PL) que propõe a criação de um “Programa Estadual para Identificação e Tratamento da Dislexia na Rede Oficial de Educação”. Segundo o texto, o Programa “terá caráter preventivo e também proverá o tratamento do educando, [devendo] abranger a capacitação permanente dos educadores para que tenham condições de identificar os sinais da dislexia e de outros distúrbios.”

Sobre esse projeto, que já foi considerado inconstitucional, há tanto manifestações favoráveis, de profissionais que defendem a necessidade de se identificar precocemente o distúrbio, como desfavoráveis, daqueles que questionam a validade do diagnóstico e alertam para a possibilidade de a lei contribuir para estigmatizar os que destoam do padrão de desenvolvimento e são apressadamente caracterizados como doentes.

Tratar-se-ia, pois, de uma tendência à “medicalização” de questões sociais, ou “patologização da educação”, que tem gerado reações contundentes de especialistas de instituições como o CRP (Conselho Regional de Psicologia), USP (Universidade de São Paulo) e Unicamp (Universidade Estadual de Campinas). Ou seja: questões como falta de concentração, dificuldade de aprendizagem, entre outras estariam sendo, de imediato, tratadas como doenças, levando a um número elevado de crianças medicadas sem necessidade.

A questão é tão fundamental que ganhou, em 21/09/09, um espaço na Câmara Municipal de São Paulo. O Seminário: Dislexia – Subsídios para Políticas Públicas foi promovido pelo CRP-06, SinPsi (Sindicato de Psicologia), Câmara Municipal de São Paulo, na pessoa do vereador Eliseu Gabriel, e Grupo Interinstitucional Queixa Escolar, com apoio das Secretarias Municipais de Saúde e de Educação.

Os profissionais reunidos debateram o assunto a partir dos seguintes aspectos: enfrentamento de dificuldades de leitura e escrita no Município de São Paulo; questionamentos sobre a existência da dislexia a partir de estudos científicos; embate em torno da medicalização e escolarização.

Esse é de fato um tema caro para nós, profissionais que trabalhamos na área da linguagem, além de muito complexo, pois, não raras vezes, as histórias de vida de nossos pacientes com dificuldades para ler e escrever, bem como o desmembramento dos processos terapêuticos nos levam, justamente, a discordar do diagnóstico de dislexia.

Como então devemos nos posicionar? Como apresentar nossas discordâncias e entendimento para os representantes das instituições escolares, que, muitas vezes, insistem nessa doença? E quanto aos familiares, que tão ansiosamente buscam uma explicação para os problemas de aprendizagem de seus filhos? Como explicar por que desconfiamos de um diagnóstico que existe, muitas vezes, para livrar a pessoa que sofre desse mal do rótulo de burro ou vagabundo? Na verdade, é a troca de um estigma por outro, ambos perigosos e inespecíficos…

Vamos refletir sobre o tema.

Uma polêmica longe do consenso

Apesar ser considerada uma doença neurológica e de existir nos guias de classificação médica, como o CID 10 e o DSM IV, a dislexia não possui um diagnóstico preciso para a área médica.

Na mesa redonda promovida pelo Instituto de Psicologia da Universidade de São Paulo, em março de 2009, intitulada: “Dislexia e TDAH: questões e polêmicas teórico-práticas”, Maria Aparecida Affonso Moysés, pediatra, profª titular da Faculdade de Ciências Médicas da UNICAMP, questionou, justamente, o recente aumento dos diagnósticos de Dislexia e Transtorno do Déficit de Atenção com Hiperatividade –TDAH: Existe uma doença neurológica que compromete só a aprendizagem da língua escrita e o comportamento, que são as áreas mais sofisticadas, complexas e de maior diversidade do ser humano? Como é feito o diagnóstico?

De fato, para a área científica, em especial o diagnóstico de dislexia é falho e inconclusivo. E vários são os motivos:

• Trata-se de um diagnóstico de exclusão; ou seja, para que uma pessoa seja considerada disléxica é preciso que apresente somente problemas de leitura e de escrita e nenhum de ordem cognitiva, escolar, social, afetiva ou orgânica. Mas como determinar a não existência desses outros problemas?

• Trata-se de um diagnóstico neurológico obtido indiretamente, através de elementos neurológicos. Mas como determiná-lo se não há consenso entre os pesquisadores sobre quais seriam esses elementos específicos para a dislexia?

• Trata-se de um diagnóstico obtido diretamente pela incidência e persistência de erros na leitura e na escrita; ou seja, a pessoa é disléxica quando apresenta muitos deles. Mas uma pessoa que, por exemplo, ainda não sabe ler e escrever com competência não poderá persistir em alguns erros? Isso não seria um sinal de saúde?

O diagnóstico é, portanto, subjetivo, dependendo dos valores de quem o realiza, o que faz com que a dislexia tenha ‘nota de corte’ (termo utilizado por Moysés, durante o seminário na Câmara Municipal supracitado) bastante flexível. Assim, alguém que, por exemplo, cometa apenas erros ortográficos com certa persistência pode ser considerado disléxico. Como não há nenhuma pesquisa que meça com exatidão qual é o momento final da aprendizagem, como saber se estamos diante de um disléxico ou de alguém que ainda está no curso de seu processo de construção desse conhecimento específico? E como admitir que um problema biológico dependa da autoridade de quem avalia?

A arbitrariedade desse diagnóstico traz embutida uma série de preconceitos. Para exemplificar o que seriam problemas sociais e afetivos que excluiriam a suspeita de dislexia, certa vez, um médico sentenciou: se o garoto tem uma família desestruturada, pai bêbado e mora na favela, aí ele não é disléxico. Quais raciocínios podemos fazer a partir dessa afirmação? Ter pai alcoólatra isentaria o filho de ter dislexia. Morar em favelas também. Ter uma família desestruturada idem. Por outro lado, quem não tem “família desestruturada”, pai bêbado ou não mora em favelas, ou seja, não tem problemas sociais e afetivos, e tem dificuldades de leitura e escrita sem outros comprometimentos orgânicos, fatalmente, será considerado disléxico. E diante da complexidade das relações interpessoais, qual seria um padrão de família estruturada?

O que fragiliza ainda mais este diagnóstico é o fato de as pessoas suspeitas de apresentarem a doença serem submetidas a avaliações que se utilizam da linguagem escrita segundo os métodos tradicionais de ensino. Em outras palavras, o instrumento de ensino que se apresentou ineficiente para que determinada pessoa aprendesse a ler e a escrever é o mesmo usado para diagnosticá-la. Ora, como é que podemos fazê-lo usando como instrumento exatamente aquilo que essa pessoa já traz como sendo sua dificuldade? É óbvio que ela não se sairá bem na avaliação!

Nem os mais modernos exames de neuroimagem escapam à fragilidade do diagnóstico de dislexia. Isto porque, para se obter uma imagem neurológica da área que é ativada quando se lê ou se escreve, é preciso que a pessoa examinada leia ou escreva. Voltamos ao mesmo ponto citado acima: a pessoa que não sabe ler ou lê com dificuldades terá menos ativação em determinada parte do cérebro. Há pesquisas que mostram que as imagens de um cérebro em ativação de um disléxico são muito semelhantes às de um analfabeto. O analfabetismo seria também uma doença neurológica? Nem vamos nos alongar no absurdo dessa proposição. O que temos a considerar é que o exame de neuroimagem detecta sim a consequência, em termos de ativação cerebral, e não a causa da dificuldade para ler ou escrever.

Perseguida desta forma, a dislexia tem deixado de ser um diagnóstico para ser uma sentença. Uma sentença que não leva em consideração a diversidade dos modos de aprender. A aprendizagem, segundo Moysés, com quem concordamos integralmente, é uma das atividades humanas mais complexas e de difícil avaliação porque implica e lida com valores e culturas que variam de família para família. Num mesmo grupo escolar temos inúmeros grupos familiares, inúmeras influências na construção do conhecimento. Como determinar qual é o modo correto de aprender ou o seu tempo exato?

E é importante que se denuncie que algo muito sério está acontecendo com o tempo de aprendizagem. Muitas escolas, tanto particulares como públicas, mais comprometidas com as avaliações externas às quais estão sendo submetidas, estão acelerando processos de aprendizagem de seus alunos para garantir uma boa classificação, e, consequentemente, maior procura no mercado da educação (cf. comentário de Rosely Sayão: “Para que serve mesmo esse ranking?”. http://blogdaroselysayao.blog.uol.com.br/). Um dos resultados dessa aceleração é preocupante: ainda no início do processo de alfabetização, as crianças que têm se mostrado mais “lentas” do que a escola gostaria, ou fora de padrões de desenvolvimento, estão sendo encaminhadas para aulas de recuperação (o que seria recuperar algo que ainda faz parte do início de um processo?) ou para especialistas na área. E para justificar este atendimento, o diagnóstico de dislexia ou TDAH tem servido como uma luva.

A quem estamos favorecendo quando aceitamos esse encaminhamento da questão?

Certamente não é a quem sofre por ter sido estigmatizado e considerado incapaz de ler e escrever, embora os adeptos do diagnóstico precoce de dislexia insistam em dizer que sim. Mas o que acontece na vida de uma pessoa pós-diagnóstico? Isso deve ser analisado com extrema cautela.

Há quem relate alívio por saber que o filho ou ele próprio é doente e não vagabundo ou burro, como comentamos anteriormente. Este alívio, por vezes, transforma relações tensas em outras mais saudáveis, e a pessoa consegue ter uma vida feliz e bem sucedida, o que costuma ser, inclusive, um importante argumento dos adeptos do diagnóstico precoce. Para estes, não são raras as grandes personalidades no mundo das artes e das ciências que foram diagnosticadas disléxicas. É a dislexia agregando valor à pessoalidade.

Para outros, entretanto, a certeza da doença é a marca das limitações, pois ter a dificuldade de ler e escrever comprovada significa o fechamento de muitas portas na vida. E, aí, ou se busca algo dentro dessa limitação, ainda que não seja o desejado, ou se persegue o que se quer, mas carregando o fantasma da incapacidade. Em ambas as opções o sofrimento estará presente.

No entanto, há algo que une essas duas posições – a de alívio e de martírio – e que faz da comprovação da dislexia uma sentença e não um diagnóstico: a fuga de situações cotidianas que envolvam a leitura e a escrita.

Num mundo em que as situações de leitura e escrita ganham as mais variadas formas, em que o conceito de letramento tem de ser sempre atualizado para abarcar as novas demandas sociais, é possível viver evitando situações cotidianas letradas? Não, não é possível.

Mas, se questionamos o diagnóstico de dislexia, que tipo de intervenção propomos?

Outra possibilidade de intervenção

Os profissionais das áreas da saúde e educação que optam por estar verdadeiramente ao lado de quem sofre por ter dificuldade em ler e escrever assumem uma outra conduta no encaminhamento da questão.

Não se trata de negar a existência da dificuldade. Trata-se, sobretudo, de se evitar a rotulação da incapacidade como algo constitutivo daquela pessoa. Nossa experiência clínica nos autoriza a dizer que as queixas de dificuldades de leitura e escrita carregam histórias singulares que fazem toda a diferença na condução do processo terapêutico. Isto significa dizer que as dificuldades apresentadas foram construídas ao longo de histórias de vida, pelas parcerias criadas em diferentes contextos, fazendo parte, portanto, do modo de ser de cada um.

Compreender tais dificuldades implica escutar a história de quem nos procura para atendimento; reconstituir alguns caminhos percorridos, identificando conflitos e sofrimentos; ofertar materiais diversos de leitura e escrita, mais para observar como a pessoa lida com eles do que para avaliar o produto realizado. Auxiliá-la na superação de suas dificuldades implica acolher seu modo de ser diante da leitura, da escrita, do erro e do não saber, ofertando, no tempo oportuno, experiências com a leitura e a escrita ainda não vivenciadas, para que, uma vez bem sucedidas, possam ser, aos poucos, incorporadas à sua história de vida, imprimindo-lhe um sentimento de potência e autonomia diante de futuros conflitos.

Se há algo que podemos dizer que seja regra no trabalho de superação de dificuldades de leitura e escrita é o estabelecimento de parcerias saudáveis, pelas quais a pessoa que sofre possa se ver capaz, potente e criativa. Entendemos por parcerias saudáveis aquelas que respeitam as singularidades, que compreendem os ritmos pessoais, que possam reinventar e acolher diferentes modos de aprendizagem e de experiência com o conhecimento.

Uma visão como esta, num contexto social mais amplo, provocaria mudanças profundas em diferentes instituições, pois implicaria assumir novas formas de avaliação e enfrentamento dos problemas de leitura e escrita vividos pela população, deslocando-os do caminho que os toma como problemas individuais para colocá-los na ordem dos processos sociais, sempre complexos e multifacetados, em que a diversidade é inegável. Como sustentar, nesta perspectiva, um diagnóstico de dislexia? Talvez esteja aqui o centro de toda a polêmica.

FONTE: Retirado do site  www.ifono.com.br

Dislexia – Conceitos Básicos

Dislexia 657

O que é?

É uma dificuldade primária do aprendizado abrangendo: leitura, escrita, e soletração ou uma combinação de duas ou três destas dificuldades. Caracteriza-se por alterações quantitativas e qualitativas, total ou parcialmente irreversíveis . É o distúrbio (ou transtorno) do aprendizado mais freqüentemente identificado na sala de aula. Está relacionado, diretamente, à reprovação escolar, sendo causa de 15 % das reprovações. Em nosso meio, entre alunos das séries iniciais (escolas regulares) têm sido identificados problemas em cerca de 8 %. Estima-se que a dislexia atinja 10 a 15 % da população mundial

Quem pode ser afetado?

A dislexia não é o resultado de má alfabetização, desatenção, desmotivação, condição sócio-econômica ou baixa inteligência. Ela pode atingir igualmente pessoas das raças branca, negra ou amarela, ricas e pobres, famosas ou anônimas, pessoas inteligentes ou aquelas mais limitadas.

Qual a causa?

A dislexia tem sido relacionada a fatores genéticos, acometendo pacientes que tenham familiares com problemas fonológicos, mesmo que não apresentem dislexia. As alterações ocorreriam em um gene do cromossomo 6 . A dislexia, em nível cognitivo- lingüístico, reflete um déficit no componente específico da linguagem , o módulo fonológico, implicado no processamento dos sons da fala. Uma criança que tenha um genitor disléxico apresenta um risco importante de apresentar dislexia, sendo que 23 a 65 % delas apresenta o distúrbio.

Um gene recentemente relacionado com a dislexia é chamado de DCDC2. Segundo o Dr. Jeffrey R. Gruen, geneticista da Universidade de Yale, Estados Unidos, ele é ativo nos centros da leitura do cérebro humano.

Outro gene, chamado Robo1, descoberto por Juha Kere, professor de genética molecular do Instituto Karolinska de Estocolmo, é um gene de desenvolvimento que guia conexões, chamadas axônios, entre os dois hemisférios do cérebro.

Pesquisadores dizem que um teste genético para a dislexia pode estar disponível dentro de um ano. Crianças de famílias que têm história da dislexia poderão ser testadas. Se as crianças tiverem o risco genético, elas podem ser colocadas em programas precoces de intervenção.

O que se sente?

Sinais indicadores de dislexia:

A dificuldade de ler, escrever e soletrar mostra-se por dificuldades diferentes em cada faixa etária e acadêmica

Pré-Escola, pré-alfabetização

Aquisição tardia da fala
Pronunciação constantemente errada de algumas sílabas
Crescimento lento do vocabulário
Problemas em seguir rotinas
Dificuldade em aprender cores, números e copiar seu próprio nome
Falta de habilidade para tarefas motoras finas (abotoar, amarrar sapato, …)
Não conseguir narrar uma história conhecida em seqüência correta
Não memorizar nomes ou símbolos
Dificuldade em pegar uma bola

Início do ensino fundamental – Alfabetização

Dificuldades mais identificadas :

fala.
aprender o alfabeto
planejamento e execução motora de letras e números
preensão do lápis
motricidade fina e do esquema corporal.
separar e seqüenciar sons (ex: p – a – t – o )
habilidades auditivas – rimas
discriminar fonemas de sons semelhantes: t /d; – g / j; – p / b.,
diferenciação de letras com orientação espacial: d /b ;- d / p; – n /u; – m / u pequenas diferenças gráficas: e / a;- j / i;- n / m;- u /v
orientação temporal (ontem – hoje – amanhã, dias da semana, meses do ano)
orientação espacial (lateralidade difusa, confunde a direita e esquerda, embaixo, em cima) execução da letra cursiva

Ensino Fundamental

Dificuldades mais identificadas:

atraso na aquisição das competências da leitura e escrita. Leitura silábica, decifratória. Nível de leitura abaixo do esperado para sua série e idade.
soletração de palavras
ler em voz alta diante da turma
supressão de letras: cavalo /caalo;-. biblioteca/bioteca; – bolacha / boacha
Repetição de sílabas: pássaro / passassaro; camada / camamada
seqüência de letras em palavras Inversões parciais ou totais de sílabas ou palavras (ai-ia; per-pré; fla-fal; me-em).
Fragmentação incorreta: o menino joga bola – omeninojo gabola
planejar, organizar e conseguir terminar as tarefas dentro do tempo
enunciados de problemas matemáticos e figuras geométricas
elaboração de textos escritos expressão através da escrita
compreensão de piadas, provérbios e gírias
seqüências como: meses do ano, dias da semana, alfabeto, tabuada. mapas
copiar do quadro

Ensino Médio

Dificuldades mais identificadas:

Podem ter dificuldade em aprender outros idiomas.
Leitura vagarosa e com muitos erros
Permanência da dificuldade em soletrar palavras mais complexas
Dificuldade em planejar e fazer redações
Dificuldade para reproduzir histórias
Dificuldade nas habilidades de memória
Dificuldade de entender conceitos abstratos
Dificuldade de prestar atenção em detalhes ou, ao contrário, atenção demasiada a pequenos detalhes
Vocabulário empobrecido
Criação de subterfúgios para esconder sua dificuldade

Ensino Superior / Universitário

Dificuldades mais identificadas:

Letra cursiva.
Planejamento e organização.
Horários (adiantam-se, chegam tarde ou esquecem).
Falta do hábito de leitura.
Normalmente tem talentos espaciais (engenheiros, arquitetos, artistas).

Diagnóstico

Os sintomas que podem indicar a dislexia, antes de um diagnóstico multidisciplinar, só indicam um distúrbio de aprendizagem, não confirmam a dislexia. Os sintomas podem ser percebidos em casa mesmo antes da criança chegar na escola. Uma vez identificado o problema de rendimento escolar, deve-se procurar ajuda especializada.

AVALIAÇÃO MULTIDISCIPLINAR

A equipe multidisciplinar, incluindo Psicólogo, Fonoaudiólogo e Psicopedagogo Clínico inicia investigação detalhada e verifica a necessidade do parecer de outros profissionais, como Neurologista, Oftalmologista e outros, conforme o caso. É muito importante o parecer da escola, dos pais, o levantamento do histórico familiar e a evolução do paciente.

Outros fatores deverão ser descartados, como déficit intelectual, disfunções ou deficiências auditivas e visuais, lesões cerebrais (congênitas e adquiridas), desordens afetivas anteriores ao processo de fracasso escolar (com constantes fracassos escolares o disléxico irá apresentar prejuízos emocionais, mas estes são conseqüências, não causa da dislexia).

A equipe multidisciplinar deve verificar todas as possibilidades antes de confirmar ou descartar o diagnóstico de dislexia.

Essa avaliação é importante tanto na identificação das causas das dificuldades apresentadas, quanto permite orientar o encaminhamento adequado para o caso individualizado.

Não existe teste único, patognomônico (sinais/sintomas constantes, caraterísticos da doença) de dislexia.

O diagnóstico deve ser realizado por profissional (ais) treinado (s), empregando-se uma série de testes e observações, em geral, trabalhando em equipe multidisciplinar, que analisará o conjunto de manifestações de dificuldades

Testes auditivos e de visão podem ser os primeiros a serem solicitados.

Entre as avaliações mais solicitadas encontram-se testes:

Cognitivos
Inteligência
Memória auditiva e visual
Discriminação auditiva e visual
Orientação
Fluência verbal
Testes com novas tecnologias

Tratamento após o diagnóstico de Dislexia.

Uma vez diagnosticada a dislexia, segundo as particularidades de cada caso, o encaminhamento orientado permite abordagem mais eficaz e mais proveitosa, pois o profissional que assumir o caso não precisará de um tempo para identificação do problema, bem como terá ainda acesso a pareceres importantes.

Tendo conhecimento das causas das dificuldades, do potencial e a individualidade do paciente, o profissional pode utilizar a linha terapêutica que achar mais conveniente para o caso particular. Os resultados devem surgir de forma progressiva.

Em oposição à opinião de muitos se pode afirmar que o disléxico sempre contorna suas dificuldades e acha seu caminho. O disléxico também tem sua própria lógica e responde bem a situações que estejam associadas a vivências concretas.

A harmonia entre o profissional coordenador e o paciente e sua família podem ser decisivos nos resultados. O mecanismo de programação por etapas, somente passando para a seguinte quando a anterior foi devidamente absorvida, retornando às etapas anteriores sempre que necessário, deve ser bem entendido pelo paciente e familiares

Sistema Cumulativo

Os serviços de educação especial podem incluir auxílio de especialistas, tutorias individuais, aulas especiais diárias. Cada indivíduo tem necessidades diferentes, por isso o plano de tratamento deve ser individualizado. Da mesma forma, é importante o apoio psicológico positivo, já que muitos estudantes com dificuldade de aprendizado têm auto-estima baixa.

Prevenção

Os transtornos de aprendizagem tendem a incidir em famílias e a dislexia é um deles. As famílias afetadas devem fazer o máximo esforço para reconhecer precocemente a existência do problema.

Quando incide em famílias sem antecedentes, o diagnóstico pode ser feito na pré-escola, se os professores detectarem os primeiros sinais. A terapia precoce proporciona os melhores resultados.

Mitos que não podem crescer

1- A dislexia é contagiosa?
Não. Ela é usualmente hereditária.

2- Uma pessoa pode ser medianamente disléxica?
Sim. Ninguém apresenta um quadro com todos os sinais de dislexia.

3- A dislexia é uma doença?
Não.

4- A dislexia pode passar sem que se tome alguma providência?
Não. Quanto antes ela é identificada e são tomadas as medidas de tratamento, maiores podem ser os benefícios do tratamento.

FONTE: http://www.abcdasaude.com.br

Disgrafia

Analisada sob o ponto de vista gráfico, escrita é um movimento que fixa sinais sobre um suporte com ajuda de um instrumento próprio. É um gesto fino, combinação dos movimentos do braço e da mão inscrevendo letras que devem ser fixadas de um certo modo sobre tal suporte e, que reproduzem os sons que ouvimos ou que pronunciaríamos se disséssemos o que escrevemos. Requer, pois, de quem escreve, uma certa execução justa dos signos e uma representação dos sons imediata e exata.

Porém a organização do ato gráfico não é inata, a possibilidade de escrever que possui uma criança que processa a aprendizagem da escrita, é o resultado de lentas e essenciais aquisições no plano motor, perceptivo e simbólico.

A escrita exige de quem escreve a possibilidade de dispor do espaço gráfico segundo as regras de uso, ou seja, exercer sobre seus movimentos um controle visual permanente de modo que as letras estejam bem ajustadas nas palavras e essas sobre as linhas. Tal controle deve chegar a ser automático.

A execução motora da escrita exige maturação de Sistema Nervoso Central e Periférico e certo grau de desenvolvimento psicomotor. A tonicidade e a coordenação dos movimentos devem estar suficientemente estabelecidas para possibilitar a atividade da mão e dos dedos. Essa destreza do tipo motor se desenvolve à medida que a criança progride em sua vida escolar.

O aprendizado do grafismo da escrita é necessário porque os pequenos gestos não podem ser decididos por quem escreve, sendo um código comum às pessoas de mesma língua, o gesto deve corresponder à escrita do código. Apenas desta maneira é possível que a escrita adquira um valor de comunicação interpessoal. A escrita é um processo de caráter práxico, que ocorre quando o indivíduo realiza o traçado dos signos gráficos; e que está afetada de forma especial no transtorno disgráfico.

Por definição, disgrafia é o transtorno da escrita, de origens funcionais, que surge nas crianças com adequado desenvolvimento emocional e afetivo, onde não existem problemas de lesão cerebral, alterações sensoriais ou história de ensino deficiente do grafismo da escrita.

Portelano Pérez (1985) e Brueckner e Bond (1986) classificaram a disgrafia segundo a sua etiologia, embora tenham utilizado terminologias distintas, concordam em que há disgrafia do tipo maturativa, desenvolvida a partir de fatores próprios do desenvolvimento do indivíduo e há a disgrafia “provocada”, de causa pedagógica, cujo substrato é o ensino inadequado da escrita. Ambos, neste caso, reportam-se tanto ao excesso de exigência quanto à deficiente orientação no processo de aquisição do grafismo da escrita.

A criança disgráfica é vítima de transtornos que provém ora do plano motor, ora do plano perceptivo, ora do plano simbólico. A dificuldade de integração visual-motora dificulta a transmissão de informações visuais ao sistema motor. “A criança vê o que quer escrever, mas não consegue idealizar o plano motor”. Sua escrita é nitidamente diferente da escrita da criança normal, o que não acarreta homogeneidade no interior do grupo dos disgráficos. Disgrafia padronizada não existe, encontram-se diversos tipos de disgrafia, é como se a criança desenvolvesse seu problema de acordo com as modalidades que lhe são próprias, imprimindo-lhe estilo pessoal.

De modo geral a criança disgráfica apresenta uma série de sinais, ou manifestações como:

? má organização da página

? texto sem unidade, desordenado

? aspecto do conjunto “sujo”

? letras deformadas

? choques entre as letras

? traços de má qualidade

? letras corrigidas diversas vezes

? enlaces mal feitos

? espaços entre as linhas e palavras irregulares, linhas mal mantidas

? pouco grau de nitidez entre as letras

? dimensões exageradas (muito grandes ou pequenas)

? desproporção entre pernas e hastes.

? postura gráfica incorreta

? preensão e suporte inadequados dos instrumentos de escrita

? ritmo de escrita muito lento ou muito rápido

? dificuldades na escrita de números e letras

? dificuldades de imitar o que vê (martelar, amarrar sapatos, fazer mímicas)

? fenômenos dolorosos geralmente por hipertonia de mão e dedos

? dificuldades para copiar letras e outros símbolos pois não oferecem pista dos padrões motores que se deve usar

? desenhos distorcidos, mal colocados na folha, sem proporção ou planejamento e pobres em detalhes

? excessiva inclinação da folha ou ausência de inclinação

__________________________________________________________________________

Fonte: Site do Serviço de Neuropediatria do Hospital Pequeno Príncipe

http://www.neuropediatria.org.br

Escrito por Maria José Gugelmin de Camargo

Terapeuta Ocupacional e Especialista em Psicomotricidade e Psicopedagogia

Drogas Para Tratamento do Transtorno do Déficit de Atenção Com Hiperatividade Têm Uso Banalizado

Droga para hiperativos tem uso banalizado – Especialistas atribuem explosão de vendas à dificuldade de diagnóstico aliada à impaciência de pais e professores

O medicamento usado no tratamento do Transtorno de Déficit de Atenção com Hiperatividade (TDAH) – vendido no País como Ritalina (Novartis) e Concerta (Jassen-Cilag) – está entre as substâncias controladas mais consumidas no País. Entre 2000 e 2008, o número de caixas vendidas passou de 71 mil para 1,147 milhão – aumento de 1.616%. A alta no consumo veio acompanhada de questionamentos sobre a banalização do uso do remédio à base de metilfenidato entre crianças e adolescentes.

Alguns especialistas apontam a demanda reprimida por tratamento que existia e ainda existe no Brasil como uma explicação para o inchaço nas vendas. Para outros, o fenômeno seria resultado de diagnósticos malfeitos, e crianças que simplesmente não se encaixam no padrão de aprendizagem e comportamento estariam sendo “domadas” à base de psicotrópicos. Reportagem de Karina Toledo, Mariana Mandelli e Sergio Neves, no O Estado de S.Paulo.
O que alimenta ainda mais a polêmica é a dificuldade de diagnosticar o TDAH. Não há um exame definitivo. Os médicos se baseiam em relatos subjetivos de pais e professores sobre o comportamento da criança e num questionário com 18 sintomas relativamente comuns entre jovens, como falar em demasia, interromper conversas e dificuldade para esperar.

“O diagnóstico deve ser feito por um médico treinado, mas envolve também outros especialistas, como psicólogo, psicomotricista e fonoaudiólogo. É preciso descartar outros problemas de saúde que possam afetar o comportamento e o aprendizado”, explica o psiquiatra infantil Francisco Assumpção, da Universidade de São Paulo (USP). “Mas muitas vezes os critérios são preenchidos pela própria escola ou até mesmo pelos pais, que me procuram apenas para pedir o remédio. Ora, não sou fábrica de receita.”

Nem todo médico é tão rigoroso. O analista legislativo Luís Fernando Leite dos Santos conta que sua filha de 16 anos foi recentemente diagnosticada como portadora de TDAH por ter apresentado alterações de humor e queda de rendimento no último bimestre escolar. “A mãe procurou um neurologista já convencida do problema. Embora o relatório da escola afirmasse que o nível de dispersão nas aulas não era tão relevante, o médico receitou o remédio e ainda disse que eu poderia pegá-lo no posto de saúde”, diz o pai, inconformado. “Uma adolescente que está namorando pela primeira vez tem todos os motivos para estar avoada. Mas a mãe não admite que ela repita de ano.”

No caso do garoto João Petrika, de 12 anos, a simples mudança de escola fez milagres. Há cerca de quatro anos ele foi diagnosticado como hiperativo e ingressou num programa de tratamento da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp). Fez terapia e tomou remédios. Mas o desempenho escolar só melhorou neste ano. “Antes ele fazia de tudo para evitar a escola. Agora que mudou de colégio, tem apenas três faltas”, conta o pai Antonio Petrika, segundo o qual o tratamento na Unifesp ajudou muito. Mas João, há dois anos sem remédios, tem outra explicação para a mudança de comportamento. “Gosto mais desta escola porque os professores são melhores. Na anterior, ficavam gritando o tempo todo. Eu ficava nervoso e não queria fazer mais nada.”

Na moda. O TDAH é um dos transtornos mentais mais comuns em crianças e se caracteriza por sintomas de desatenção, inquietude e impulsividade. Estudos indicam que a prevalência na população é de 5%. Isso significa que numa sala de aula com 40 alunos, pelo menos 2 teriam a doença.

Mas em algumas escolas o número de alunos em tratamento é bem maior que o estimado (mais informações nesta página). “A dificuldade de aprendizado passou a ser sinônimo de problema com a criança, quando às vezes o problema é da escola”, afirma Assumpção. Escola ruim, continua, não é só aquela que não ensina direito, mas também aquela que não respeita o ritmo biológico de cada criança. “Exigir que se aprenda a escrever com 4 anos, por exemplo, é um absurdo”, diz o médico.

Para o chefe da psiquiatria infantil da Santa Casa do Rio, Fábio Barbirato, os excessos existem, mas estão restritos às grandes metrópoles. “Nos locais mais pobres do País ainda há muita criança com TDAH sem tratamento”, diz.

A ideia de que os jovens estão sendo supermedicados, afirma Guilherme Polanczyk, psiquiatra especialista em infância e adolescência e professor da USP, está baseada numa parcela pequena da população. “Você percebe o aumento do consumo nas classes mais ricas, que têm mais acesso a tratamento.”

Tanto Barbirato como Polanczyk defendem os medicamentos à base de metilfenidato como primeira escolha de tratamento para TDAH. “Psicoterapia ajuda, mas controlar os impulsos e focar a atenção só se consegue com remédios”, diz Polanczyk.

Ambos também concordam que a falta de tratamento pode deixar o doente mais sujeito a comportamentos de risco, como usar drogas, dirigir de forma imprudente e se envolver em brigas.

“Não podemos demonizar o remédio”, afirma Iane Kestelman, presidente da Associação Brasileira do Déficit de Atenção (ABDA). “Quando se tem mais acesso à informação sobre a doença, é natural que se aumente o uso da medicação. Mas essa conta não deve ser paga pelo portador de TDAH.”

EVIDÊNCIAS CIENTÍFICAS

Causas
A genética tem papel fundamental, mas fatores ambientais como fumo na gestação e baixo peso no nascimento podem estar envolvidos.

Três perfis
Há o tipo predominantemente hiperativo, outro principalmente desatento e um terceiro tipo combinado.

Gênero
O transtorno é três vezes mais comum em meninos, mas o tipo desatento é mais frequente nas meninas.

Polêmica chega à escola

É na escola, onde a criança desenvolve grande parte de seu processo de socialização, que o uso da Ritalina vem sendo mais percebido. O Estado ouviu relatos de educadores que confirmam a incidência do uso do medicamento em até 18% dos alunos de uma mesma sala de aula. Para os professores, há casos em que o remédio é realmente necessário – como nos de alunos hiperativos -, mas a banalização é uma realidade cotidiana.

“A causa disso é o imediatismo de muitos pais e neurologistas, que querem medidas rápidas”, afirma Raquel (nome fictício), de 48 anos, professora de ciências de uma escola particular de classe média alta.

Alguns educadores dizem que o uso indiscriminado do remédio está vinculado à dificuldade que algumas famílias têm de impor limites aos filhos. “É comum ouvirmos coisas do tipo: “Não sei o que faço com meu filho. Ele está tomando medicação, mas mesmo assim não sei o que fazer””, conta Isadora (nome fictício), de 43 anos, professora de história do ensino fundamental .

“Ouço muitos pais falando coisas assim: “Meu filho tem 13 anos e mudou muito. Vou levá-lo ao neurologista e ao psiquiatra.” Ele tem 13 anos, é claro que mudou: está na idade de ser agitado”, diz a professora de história Larissa (nome fictício), de 32 anos. “Se criassem uma escola que ensinasse os pais a educarem suas crianças, seria um sucesso. Porque muitos deles priorizam a carreira e, quando percebem mudanças nos filhos, levam direto ao médico.”

As escolas ouvidas pela reportagem afirmam não ser contra o medicamento – o principal desafio, segundo elas, é mostrar aos pais que é possível tentar métodos menos invasivos, como terapia e atividades físicas. “É uma questão de motivação, de incentivar a autonomia dessa criança”, afirma Birgit Mobus, psicopedagoga da Escola Suíço-Brasileira.

Necessidade. “A Ritalina é uma droga que deixa dependente, além do aluno, a família e o professor. Todos se acostumam com o equilíbrio apresentado pela criança sob efeito dela”, afirma Silvio Barini Pinto, diretor do Colégio São Domingos, na zona oeste paulistana. “Temos de cuidar para não favorecer sua indicação.”

A coordenadora da orientação educacional do Bandeirantes, Vera Lucia Malato, concorda. “Quanto mais se retardar o uso do medicamento, melhor”, opina.

Especialistas afirmam que a Ritalina não deve ser descartada quando há diagnóstico preciso. “Meus filhos sofreram demais: mudaram de escola, repetiram de ano, tudo. Comprei essa luta por eles”, conta Iane Kestelman, presidente da ABDA. “A medicação, usada apropriadamente, pode ser muito benéfica.”

A Ritalina melhorou a vida da filha de 9 anos da fonoaudióloga Salete (nome fictício), de 39 anos, “Ela sempre foi dispersa, mas seu rendimento na escola vinha caindo demais. Tentamos de tudo, até que foi diagnosticado o TDAH. A melhora dela é impressionante: está mais feliz e suas notas estão acima da média”, conta a mãe, que, apesar de ter sido resistente à medicação, não se arrepende.

Em 2009: 527.896 caixas de metilfenidato foram vendidas em farmácias que aderiram ao programa da Anvisa de medicamentos controlados (60% do País); o dado não inclui as unidades distribuídas pelo SUS.

Fonte: www.ecodebate.com.br