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Técnicas de aprendizado e habilidades metacognitivas

Técnicas de aprendizado e habilidades metacognitivas

O ato de aprender, para muitos alunos, pode ser uma verdadeira tortura diante dos obstáculos encontrados no meio do caminho. Os motivos são os mais variados possíveis, mas a não compreensão da própria dificuldade ao aprendizado é o que já foi mencionado na literatura científica de ignorância secundária (Brown, 1978).

Antes de explorar algumas técnicas de aprendizado e habilidades metacognitivas, é importante que vocês saibam o que é a metacognição e como ela pode influenciar a vida pedagógica não só de crianças, mas de adultos também.

O que significa a metacognição?

A metacognição é algo que está ligado à “consciência e ao automonitoramento do ato de aprender” ou como a definição a seguir: “aprendizagem sobre o processo de aprendizagem ou a apropriação e comando dos recursos internos se relacionando com recursos externos”. É compreensão do aprendizado.

Que influências ela pode trazer para o estudante?

De acordo com levantamentos, a metacognição influencia campos diversos do saber, como a comunicação e a compreensão oral; além da escrita e da resolução de problemas. Isso significa um elemento imprescindível ao ato de ‘aprender a aprender’.

Mas os benefícios não param por aí. Estudos revelam que a metacognição também influencia a motivação dos alunos. O fato de eles terem a autonomia de “controlar e gerir os próprios processos cognitivos lhes dá a noção da responsabilidade pelo seu desempenho escolar e é responsável por gerar confiança nas suas próprias capacidades.”

Qual o papel da metacognição nas atividades do cérebro?

É importante destacar que tamanhas habilidades que direcionam as ações metacognitivas do estudante pedem a utilização de determinados mecanismos, por vezes bem complexos, resultando em “planificação, verificação, monitoração, revisão e avaliação das realizações cognitivas.”

Que técnicas podem ser usadas com meus alunos?

Vale ressaltar aqui que as estratégias de metacognição visam ao melhoramento dos estudantes. Vejam quais são elas:

– Induzir as pessoas ao autoconhecimento

É muito importante enfatizar isso, pois quando os alunos percebem o momento que começa sua dúvida e o que ele pode fazer para saná-las, eis aí um passo cujo resultado poderá trazer benefícios para eles. O educador tem a missão de induzi-los quanto à melhor forma de aprendizagem para cada estudante. Estimular o autoconhecimento de todos eles.

– Anotações durante a aula

Um dos mecanismos mais eficazes é a anotação das explicações que são dadas durante a aula. Os principais conceitos podem ser sublinhados ou grafados com uma caneta de cor diferente, por exemplo. O professor deve indicar como hierarquizar essas informações e fazer pequenas pausas para saber como está o rendimento da turma com a exposição do conteúdo.

– Avaliação da matéria ao final da aula

Ao fim de cada explicação, peça aos alunos para fazer um pequeno resumo sobre o que foi passado. Não é um texto, mas apenas um parágrafo que possa sintetizar as ideias exploradas no dia. Dessa forma, o estudante vai perceber os obstáculos que se fizeram presentes em sua concepção.

– Mapas conceituais

Essa dica pode ser utilizada em turmas de adolescentes, por exemplo. A unificação dos conceitos em um esquema tende a auxiliá-los bastante no entendimento de uma matéria. É preciso que o educador ensine-os como estruturar esse mapa.

Fonte: https://neurosaber.com.br/tecnicas-de-aprendizado-e-habilidades-metacognitivas/  Acessado em  23 de abril de 2018, por Eliane Costa Kretzer, Psicopedagoga

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Como lidar com a dificuldade de aprender ou memorização de atividades?

Todos nós somos suscetíveis às dificuldades, seja ela a de falar em público, expressar-se através da escrita e até mesmo lembrar conceitos e nomes. Todos esses aspectos também estão ligados à fase da infância, sobretudo no que diz respeito aos episódios que podem afetar muitas pessoas em idade escolar.

O artigo de hoje tem como foco a dificuldade que uma criança pode ter em aprender ou memorizar alguma atividade que seja relevante para a sua vida pedagógica e social. No entanto, o que fazer para lidar com isso? Existe algum exercício que consiga resolver essa situação? É preciso acompanhamento terapêutico? Confira a seguir.

Por que as crianças não conseguem memorizar?

Não existe uma resposta para isso, mas algumas possibilidades que podem levar alunos a encontrarem obstáculos para aprender ou memorizar. Uma das linhas mais abordadas nesse cenário segue para os distúrbios de aprendizagem. Entretanto, é aconselhável observar por algum período o comportamento do pequeno.

Meu filho realmente não aprende porque tem dificuldade em alguma matéria

Se o motivo das preocupações for este, é necessário estabelecer algumas estratégias que visem dar à criança uma margem maior para o aprendizado, por exemplo. Aulas de reforço e uma rotina diária de tarefas, acerca da disciplina que motiva essa situação, são os mais indicados.

Outras soluções para driblar a dificuldade de aprender ou a memorizar

– Fazer paródias com o conteúdo pedagógico: a música pode ser uma excelente forma de memorização e aprendizado;

– Pequenos fragmentos: se a criança estiver com problemas para lembrar alguma palavra, cole post-it (papel de recados) em cantos que podem ser vistos pelo pequeno. Isso pode aumentar sua capacidade para fixar o conteúdo. Ex: algum idioma novo, algum conceito, etc.

E quando a dificuldade é motivada por algum distúrbio, o que fazer?

Nesses casos, o pequeno realmente vai precisar de um acompanhamento interdisciplinar, pois somente uma equipe de especialistas tem a missão de oferecer terapias que consigam estabelecer intervenções próprias para a demanda do aluno. O distúrbio de aprendizagem pode ser o mais provável.

É interessante saber quais são os principais:

Discalculia

discalculia é quando a criança tem dificuldade de aprender tudo que esteja direta ou indiretamente ligado a questões que envolvem números, como probleminhas, aplicações e conceitos matemáticos.

Disgrafia

disgrafia ocorre quando o aluno apresenta dificuldade na elaboração da linguagem escrita. A criança pode encontrar dificuldades para desenvolver suas habilidades na área mencionada e que, em muitos casos, pode vir acompanhada de uma dislexia.

Hiperatividade

Muito falada na sociedade e, na mesma intensidade, levada a equívocos por parte do senso comum, a hiperatividade é marcada pela falta de atenção. A criança hiperativa não consegue prender a atenção em tudo e também quer realizar várias tarefas ao mesmo tempo. O hiperativo é muito agitado e não consegue ficar parado.

Déficit de atenção

Esse déficit é caracterizado pela falta de atenção, mas não é algo voluntário. Lembre-se que isso também é um distúrbio de aprendizagem. Nesse caso, a criança não consegue fixar sua atenção ao que está sendo ensinado.

Tratamentos

Como mencionado anteriormente, as intervenções devem ser aplicadas por profissionais de áreas diversificadas, como educadores, psicopedagogos, psicólogos, entre outros. Somente dessa maneira, a criança tem a chance de alcançar objetivos pedagógicos satisfatórios.

Fonte: https://neurosaber.com.br/como-lidar-com-a-dificuldade-de-aprender-ou-memorizacao-de-atividades/. Acessado em 23 de abril de 2018, às 10h10min, por Eliane Costa Kretzer, Psicopedagoga.

Para refletir e não apenas tomar como verdade absoluta, é preciso analisar os pontos positivos e negativos.

Não podemos nos privar de discutir a questão das Novas Tecnologias da Informação e da Comunicação (NTIC) na vida das pessoas e também na escola. Pesquisando sobre o assunto, li o texto abaixo extraído do site https://www.soescola.com, considerei importante repassar para que nós educadores possamos não apenas nos informar sobre o assunto, mas também discutir e analisar os prós e os contras do uso das tecnologias na sala de aula. Convido vocês a lerem o artigo e postarem os seus comentários.

Uso das novas tecnologias contribuem ou atrapalham em sala de aula?

Autor: Prof Marcos L Souza – 05/11/2017
Pedagogo – Psicopedagogo – Historiador – Educador musical – Mestre em Filosofia

Continuar lendo Para refletir e não apenas tomar como verdade absoluta, é preciso analisar os pontos positivos e negativos.

Um texto muito interessante sobre a “escrita espelhada”, com ideias de atividades para ajudar a criança a superar esta fase.

Você também pode acessar o texto pelo link: Psicopedagoga Eliane Costa Kretzer Escrita Espelhada

Psicopedagoga Eliane Costa Kretzer – ABPp/SC – 346/2009

Um texto muito interessante sobre a “escrita espelhada”.

Escrita espelhada, o que fazer?

 Soescola, 4 De Maio De 2017:

https://www.soescola.com/2017/05/escrita-espelhada-o-que-fazer.html

Quando as crianças iniciam a escrever suas primeiras palavras ou números, a sensação dos pais é indescritível. É um processo de autonomia, um ritual de passagem evidenciando uma nova etapa na vida da criança… É uma gracinha ver aquelas mãos tão delicadas iniciando seus traçados…

Ao compor suas primeiras escritas elas mostram-se portadoras de inúmeras experiências, desejos, anseios e dinâmicas particulares de aprendizado. Vygotsky (1998) destaca que a escrita tem significado para as crianças, desperta nelas uma necessidade intrínseca e uma tarefa necessária e relevante para a vida.

Entretanto, na medida em que esta escrita avança é comum que elas evidenciem letras ou números espelhados…algumas já estão lá por volta dos 7 anos e ainda mantém esta característica e por que será que fazem isso?

Em primeiro lugar é importante ressaltar que espelhar letras e números é normal, pois a criança está em processo de construção da escrita. Para que ela tenha o entendimento, que nós adultos temos que a escrita inicia da esquerda para a direita (no caso da cultura ocidental), algumas noções anteriores ao papel devem ser bem trabalhadas. A aquisição da escrita é posterior à aquisição da linguagem e posterior a um nível específico de maturidade motora humana.

Conforme Esteban Levin (2002: 161), o ato da escrita em si, não depende somente do ato biológico, mas de toda uma estrutura que provém do sistema nervoso central,

[…] o que escreve é um sujeito-criança, mas, para fazê-lo, necessita de sua mão, de sua orientação espacial (lateralidade), de um ritmo motor (relaxamento-contração), de sua postura (eixo postural), de sua tonicidade muscular (preensão fina e precisa) e de seu reconhecimento no referido ato (função imaginária).

Conforme manual de neurologia infantil, autoria de Diament (2005), a partir dos 7 anos que a criança começa a consolidar a noção de direita e esquerda, bem como encontra-se em fase de maturação de áreas visoespaciais, portanto é perfeitamente normal ainda apresentar algumas trocas  na direção de suas escrita, pois estão em processo de aprendizagem, sistematizando suas hipóteses e consolidando noções importantes em aspectos neurobiológicos, porém, alguns alunos espelham palavras e frases inteiras, característica da disgrafia. No entanto, isso não significa que as crianças que espelham letras e números apresentem disgrafia, mas se no final deste ano, após todas as intervenções pedagógicas terem sido realizadas, visando a “escrita correta” das palavras, faz-se necessário uma avaliação mais detalhada.

Dehaene (2012) nos mostra que a capacidade de reconhecer as figuras simétricas faz parte das competências essenciais do sistema visual, porque permite o reconhecimento dos objetos independentemente da sua orientação, por esse motivo  que quando uma criança aprende a ler tem que “desaprender” a generalização em espelho para que possa compreender a diferença entre as letras “b” e “d”.  A maioria das crianças passa por uma fase de escrita em espelho tendo geralmente ultrapassada esta dificuldade por volta dos 8 anos. Entretanto, cabe ressaltar que algumas das crianças que apresentam escrita espelhada são canhotas.

A identificação de uma imagem na sua forma simétrica, confusão esquerda-direita, também é frequente, no nosso sistema visual (Dehaene 2007). No entanto, na sala de aula existem professores que consideram “errado” quando os alunos escrevem palavras ou números espelhados, por isso se faz necessário esclarecer que antes de considerar certo ou errado, faz-se necessário realizar atividades que propiciem a lateralidade. Com certeza, no processo de alfabetização, tanto pais, quanto professores, devem sempre questionar a criança sobre como poderia melhorar aquilo que fez, procurar fazê-la tomar conhecimento do que fez e como o fez, mas também como deveria fazê-lo.

Numa abordagem neurocientífica Guaresi (2009) enfatiza que: A criança tem que manipular um repertório de  habilidades motoras finas e complexas concomitantes com dados sensoriais (conteúdo visual),  um processo que envolve muitas funções cerebrais, tais como atenção, memória, percepção  (integração e interpretação de dados sensoriais), entre outras. O processo de aprendizagem da  escrita envolve, entre outros aspectos, a integração viso-espacial, ou seja, visualizar o que está  sendo apresentado, localizar o lápis, acomodá-lo de forma satisfatória na mão, direcioná-lo ao  caderno e iniciar a sequência de movimentos numa tentativa de escrita. Com o tempo e o reforço das redes sinápticas correspondentes, este processo será automático, ou seja, não  precisará de monitoramento cerebral constante para execução da tarefa e a criança terá  condições de aumentar o nível de complexidade.

Existem três domínios principais que precisam ser ensinados para que uma pessoa tenha autonomia no ato de escrever: o domínio linguístico, o domínio gráfico e o de conceitos de letra e texto. A escrita  como um sistema organizado manifesta nossa capacidade de simbolizar.  É complexo e sua aquisição demanda o domínio das várias dimensões que o compõe, por exemplo, além da segmentação, as crianças precisam adquirir no domínio gráfico, noções de esquerda para a direita, de cima para baixo.

Portanto, a neuropsicopedagogia não lida apenas e diretamente com o problema de aprendizagem, mas com todos os processos metacognitivos que fazem com o ser humano venha a ter melhores condições de aprendizagem. Nesse sentido é importante lembrar que os alfabetos expostos em sala de aula, não deveriam ser em E.V.A, pois na maioria das vezes, apresentam somente a letra script maiúscula, sendo que no mundo letrado, não é somente este tipo de escrita que a criança encontra, muito menos deveriam conter formas de “bichinhos, bonequinhos”, pois isto também acarreta em confusão para aquela que se encontra em processo inicial do traçado das letras. Ela precisa visualizar a estética correta da escrita, e se possível que neste alfabeto seja sinalizado por setas indicando por onde começar esta escrita. A mesma sugestão é válida para o traçado de números. No entanto, antes de sistematizar a escrita “no papel”, diversas outras atividades envolvendo o corpo devem estar bem desenvolvidas, pois tudo que sentimos através do nosso corpo, torna-se mais significativo e é nesse sentido que seguem algumas sugestões de atividades:

 Jogo de orientação espacial: Dependendo da idade da criança, pode-se colocar uma fita no braço, ou perna sinalizando o lado direito (ou esquerdo). Coloca-se no chão algo delimitando o espaço, por exemplo 3 colchonetes. A criança fica posicionada no colchonete do meio, e o professor diz: direita (ele deve passar para o colchonete correspondente), esquerda ou meio. Também, após terem dominado estas noções,  pode ser colocado outros 3 colchonetes na frente da criança, sendo que outra participe da atividade, demonstrando que ao se posicionarem uma frente a outra, o ato de pular para a direita de uma, irá mostrar-se diferente do ato de pular para a direita de outra.
 Atividades com balão: Tentar manter o balão no ar, somente batendo nele com a mão direita, após somente com a mão esquerda.

Brincar de Robô:

Uma criança é o robô, e seu parceiro é o guia. Auxiliados pela professora, combinam sinais de movimentação do robô. Por exemplo, se o guia tocar o lado esquerdo da cabeça do robô, esse vira para a esquerda; se tocar o lado direito, vira à direita; se tocar o alto da cabeça, o robô abaixa, e assim por diante. Algum tempo depois, invertem-se os papéis, sendo que o guia vira robô, e o robô vira guia. Depois disso, a brincadeira é feita com deslocamentos. As duplas combinam os sinais de movimentação. Por exemplo, um toque na parte de trás da cabeça é sinal para o robô ir adiante; um toque nos ombros é sinal para que ele pare.

Brincar de espelho:

Inicialmente cada aluno faz as atividades sozinhos, ou seja, a professora diz, mostrar a mão direta, colocar o pé esquerdo ao lado da cadeira, colocar a mão esquerda no olho esquerdo, encostado no cotovelo direito  no joelho direito, e ir dizendo várias situações. Mas para brincar de espelho, cada um ficará de frente a um colega e deverá seguir as instruções dadas pela professora, porém localizando no outro.

Que letra é essa?

Nas costas do aluno o professor faz com o dedo uma letra e o mesmo deve dizer qual é.

Caminhar sobre as letras:

No chão, fazer o traçado de letras ou palavras e os alunos devem caminhar sobre as mesmas, seguindo a ordem que o traçado deve ser feito.

Escrita com água:

Os alunos podem molhar o dedo na água e vir ao quadro passar o dedo sobre o traçado das palavras.

Escrita na areia:

No chão, escrever com o dedo, ou palito de picolé, o traçado de palavras.

Modelagem de palavras:

Usando argila ou massa de modelar, escrever palavras modelando letra por letra.

Referência Bibliográfica:

BOSSA, Nádia. Dificuldades de Aprendizagem: o que são e como tratá-las. Porto Alegre: ARTMED, 2000.

DEHAENE, Stanislas. Os Neurônios da Leitura: Como a ciência explica a nossa capacidade de ler. Porto Alegre: Penso, 2012.

DIAMENT, A. CYPEL,S. Neurologia Infantil, 2005, p. 78

GUARESI, Ronei. Etapas da aquisição da escrita e o papel do hipocampo na consolidação de

elementos declarativos complexos. Letrônica, Porto Alegre v.2, n.1, p. 189, jul. 2009.

LEVIN, Esteban.  A Infância em Cena. Petrópolis: Ed. Vozes, 2002-
LIMA, Elvira Souza .Coleção Cotidiano na Sala de Aula. Ed Inter Alia, São Paulo

Esta reportagem foi retirada do site “Soescola”, acessada em 20 de dezembro/2017 através do link: https://www.soescola.com/2017/05/escrita-espelhada-o-que-fazer.html.

Eliane Costa Kretzer

Psicopedagoga ABPp/SC – 346/2009

Gaspar, 20 de dezembro de 2017.

INDICAÇÕES DE LITERATURAS

OUVIR HISTÓRIAS PARA GOSTAR DE LER…

Para a estimulação do hábito de ler, nada melhor que ler para uma criança. Assim, ela percebe a importância da leitura em sua vida, bem como a leitura tem que ser significativa. Faço aqui uma lista de literaturas que podem contribuir para um momento de leitura. Todas estão disponíveis na Biblioteca Pública, algumas também encontramos nas bibliotecas escolares. Boas leituras…. Abraços e logo, logo colocarei outras!

Eliane Costa Kretzer

Gaspar, 22/06/2017.

HODGKINSON, Leigh; AQUINO, Gilda de (Tradutora). Cachinhos dourados e um urso apenas. São Paulo: Brinque-Book, 2013. 32 p. ISBN 978-85-7412-422-3. TOLMAN, Marije; TOLMAN, Ronald (Ilustrador). A casa na árvore. São Paulo: Brinque-Book, 2012. 32 p. ISBN 978-85-7412-406-3.
WILLS, Jeanne; ROSS, Tony (Ilustrador); AQUINO, Gilda de (Tradutora). Como é que eu era quando era bebê?. São Paulo: Brinque-Book, 2009. 28 p. ISBN 978-85-7412-101-7. PAGE, Gail; AQUINO, Gilda de (Tradutora). Como ser um bom cachorro. São Paulo: Brinque-Book, 2014. 32 p. ISBN 978-85-7412-444-5.
PAGE, Gail; AQUINO, Gilda de (Tradutora). Como ser um bom gato. São Paulo: Brinque-Book, 2014. 32 p. ISBN 978-85-7412-445-2. BRENMAN, Ilan; KARSTEN, Guilherme (Ilustrador). Conversa para pai dormir. São Paulo: Brinque-Book, 2012. 24 p. ISBN 978-85-7412-389-9.
GAY, Marie-Louise. Estela, estrela-do-mar. São Paulo: Brinque-Book, 2000. 32 p. ISBN 978-85-7412-056-0. KING, Stephen Michael; AQUINO, Gilda de (Tradutora). Folha. São Paulo: Brinque-Book, 2008. 66 p. ISBN 978-85-7412-242-7.
JOLLEY, Mike; ALLWRIGHT, Deborah (Ilustradora); AQUINO, Gilda de (Tradutora). Grunter, a história de um porco insuportável. 2. ed. São Paulo: Brinque-Book, 2012. 36 p. ISBN 978-85-7412-363-9. VILELA, Fernando. Os heróis do tsunami. São Paulo: Brinque-Book, 2011. 40 p. ISBN 978-85-7412-360-8.
CALLERY, Sean; DELL’ARINGA, Regina (Tradutora); ZIEWE, Jurgen (Ilustrador). Hieróglifos: desvende o mistério do gato dourado. São Paulo: Brinque-Book, 2010. 48 p. ISBN 978-85-7412-303-5. MUNDURUKU, Daniel; KOWALCZYK, Marie Therese (Ilustradora). Kabá Darebu. São Paulo: Brinque-Book, 2002. 28 p. ISBN 85-7412-086-3.
AUTUMN PUBLISHING; HINTON, Stephanie (Ilustradora); AQUINO, Gilda de (Tradutora). Monstros multicoloridos. São Paulo: Brinque-Book, 2015. n. p. ISBN 978-85-7412-522-0. TILLMAN, Nancy; AQUINO, Gilda de (Tradutora). Na noite em que você nasceu. São Paulo: Brinque-Book, 2008. n. p. ISBN 978-85-7412-234-2.
BRENMAN, Ilan; TOKITAKA, Janaina (Ilustradora). O nariz da Cris. São Paulo: Brinque-Book, 2011. 24 p. ISBN 978-85-7412-316-5. NEVES, André. Obax. São Paulo: Brinque-Book, 2010. 33 p. ISBN 978-85-7412-297-7.
FREEMAN, Tor; AQUINO, Gilda de (Tradutora). Olívia e o mau humor. São Paulo: Brinque-Book, 2013. 28 p. ISBN 978-85-7412-504-6.
Boas leituras…..

Algumas estratégias e orientações para auxiliar o desempenho escolar e a vida social de crianças e adolescentes com diagnóstico de TDAH

LEITURA (Rotta, Ohlweiler e Riesgo, 2006)

Importante: A maioria das dificuldades de leitura não está na decodificação e sim na compreensão leitora. Algumas destas estratégias auxiliam também para um processo de estudo dirigido, por exemplo para uma prova, em casa.

  1. Realização de leitura em voz alta;
  2. Ilustração de histórias lidas;
  3. Levantar aspectos importantes do texto que será lido auxiliando a seleção de informações importantes;
  4. Discutir o assunto antes da leitura, levantando conhecimentos prévios ou hipóteses sobre o assunto;
  5. Discutir depois da leitura, enfatizando o que foi relevante do texto;
  6. Utilizar gravadores. Podem ser usados tanto para a sia leitura como para a leitura de colegas.
  7. Estimular o uso de livros diversificados abordando o assunto de formas variadas.  A criança de forma geral, e principalmente a criança com TDAH, é bastante motivada por meio das novidades (usar vários suportes de texto).

ESCRITA (Rotta, Ohlweiler e Riesgo, 2006)

  1. Trabalhar com atividades de consciência fonológica (rimas, parlendas, trava-línguas, prolongamento dos sons das letras como F – V – J – G – X – Z – M – N – vogais);
  2. Incentivar a construção de narrativas orais que podem  favorecer a construção de esquemas que auxiliam a organização do pensamento e a coerência, conexão de ideias.

GRAFIA (Chamat, 2008)

Distúrbio de integração visual: não conseguem transmitir as informações visuais ao sistema motor, onde causa desorganização em momentos de escrita (expressão gráfica do pensamento). Algumas crianças/adolescentes com TDAH podem apresentar este distúrbio o que gera um traçado da letra lento, ou seja, demora ao copiar ou escrever uma redação. Nestes momentos a criança/adolescente tente a “fugir” desta atividade, pois se torna estressante, busca recursos como conversar, desenhar, entre outros. Sugere-se:

  1. Auxiliar a elaboração de resumos, esquemas e mapas mentais;
  2. Não cobrar cópias extensas e permitir o uso de gravador durante as explicações;
  3. Se possível até o uso de smartphones ou tablets, como suporte nas atividades de escrita (neste caso para as crianças/adolescentes que já estão completamente alfabetizados).

ORTOGRAFIA (Rotta, Ohlweiler e Riesgo, 2006)

  1. Permitir, sempre que possível, o uso do computador, smartphone, pois essa ferramenta assinala automaticamente os erros cometidos, auxiliando a identificação e a correção;
  2. Incentivar o uso do dicionário e a criação de um dicionário particular;
  3. Evitar correções de erros quando a atividade não se referir à Língua Portuguesa;
  4. Evitar o uso de canetas vermelhas poluindo as atividades com correções. Estas além de gerarem um sentimento de incompetência, não contribuem para a melhora da ortografia;
  5. Valorizar a escrita e explicitar seus ganhos e suas expectativas quando das aquisições futuras.
  6. Buscar estratégias diversificadas (por exemplo, com professores de Língua Portuguesa) para trabalhar a ortografia (trocas, inversões e omissões).

PRODUÇÃO DE TEXTO (Rotta, Ohlweiler e Riesgo, 2006)

Para garantir a construção de competências na produção textual é necessário atenção, planejamento e capacidade de execução, áreas afetadas para quem tem TDAH. Sugere-se:

  1. Realizar atividades que foquem a organização estrutural de cada gênero;
  2. Traçar passos para organizar o material escrito;
  3. Incentivar a releitura do material e a consequente revisão das produções;
  4. Ter claro que revisar não é corrigir ortografia e sim melhorar a produção, deixando o texto atrativo para o leitor. Tratar a produção como algo social dando função à atividade.

MATEMÁTICA

Uma das dificuldades do aluno com TDAH é a regulação da atenção, a exigência de mais memória e do planejamento, para que de um determinado problema a criança possa coordenar os passos/etapas e fazer a seleção correta dos dados, é onde se concentra a sua dificuldade na matemática. Algumas orientações se tornam significativas como:

  1. Solicitar que sejam grifados os passos ou o que é desejado da atividade;
  2. Oferecer uma folha de papel extra para que possa realizar os cálculos. O trabalho mental deve ser estimulado em algumas situações, mas nunca nas avaliações;
  3. Iniciar os assuntos rememorando conteúdos necessários à nova aquisição que será apresentada em seguida;
  4. Oferecer material concreto/manipulável;
  5. Incentivar a revisão das atividades e das avaliações.

Para finalizar é muito importante para o sucesso da criança que o trabalho de equilibração da atenção seja proporcionado tanto em âmbito escolar como familiar. Assim como, auxílio de profissionais que possam conduzir conflitos e condutas, juntamente com a família e escola numa perspectiva da criação de uma rotina estruturante, equilibrada e definida. A família estará contribuindo estabelecendo regras claras e objetivas. A criança com TDAH necessita do auxílio de um adulto equilibrado, que consiga ouvir e também estabelecer limites claros e ponderados, pois sabe-se que a paciência e a tolerância nestas crianças sempre está num limiar muito sutil. Pequenos erros e deslizes devem ser superados com tranquilidade para que não aconteça uma cobrança excessiva e um aumento na ansiedade e na frustração. A flexibilidade e o bom senso são cruciais no trabalho com as crianças/adolescentes com TDAH.

FONTE: SAMPAIO, Simaia (org), FREITAS, Ivana Braga. TRANSTORNOS E DIFICULDADES DE APRENDIZAGEM: entendendo melhor os alunos com necessidades educativas especiais. Rio de Janeiro: 2 ed. Wak Editora, 2014, p.155 – 161.

Eliane Costa Kretzer

Psicopedagoga do SEFOPPE

Gaspar, 22 de junho de 2017.

TDAH – Transtorno Déficit Atenção e Hiperatividade

Estudando sobre os alunos com TDAH, encontrei um excelente e explicativo material para professores, coordenadores e mesmo a família sobre como trabalhar e lidar com esses alunos. É muito importante que todos os profissionais que lidam com crianças com este transtorno pesquisem e tenham informações seguras para que o trabalho se desenvolva de forma qualitativa e dentro das expectativas de cada sujeito envolvido.

Acredito que somente com informação, aceitação e trocas de experiências vamos avançar no trabalho pedagógico com as crianças e adolescentes com dificuldades de aprendizagem. Boa leitura!

Abraços!

Eliane Costa Kretzer

Psicopedagoga – SEFOPPE – 2017.

Como o professor pode ajudar no tratamento do TDAH?

Qual o papel da escola e do professor no acompanhamento da criança com TDAH?

É comum os professores perguntarem: se o TDAH é uma doença, porque o professor teria responsabilidade sobre o tratamento? Como contribuir para a melhora da criança? Como descrito, o TDAH não é um transtorno que afeta apenas o comportamento da criança. Na medida em que afeta também a capacidade para a aprendizagem, a escola precisa assumir o importante papel de organizar os processos de ensino de forma a favorecer ao máximo a aprendizagem. Para tal, é necessário que direção, coordenações, equipe técnica e professores se unam para planejar e implementar as técnicas e estratégias de ensino que melhor atendam às necessidades dos alunos que se encontram sob sua responsabilidade.

O mais importante é o professor conhecer o TDAH e reconhecer que essas crianças necessitam de ajuda. Além disso, utilizar estratégias que possam ajudá-las no aprendizado também é fundamental para o tratamento dos portadores de TDAH.

A seguir apresentamos algumas estratégias para o manejo de crianças com TDAH no dia a dia da escola. Essas estratégias fazem parte de um programa de treinamento de manejo comportamental para professores e outros profissionais da área de educação, desenvolvido pela Equipe do Projeto Inclusão Sustentável (PROIS).

Recebendo e acolhendo o aluno:

• Identifique quais os talentos que seu aluno possui. Estimule, aprove, encoraje e ajude no desenvolvimento deste.

• Elogie sempre que possível e minimize ao máximo evidenciar os fracassos.

• O prejuízo à autoestima frequentemente é o aspecto mais devastador para o TDAH.

• O prazer está diretamente relacionado à capacidade de aprender. Seja criativo e afetivo buscando estratégias que estimulem o interesse do aluno para que este encontre prazer na sala de aula.

• Solicite ajuda sempre que necessário. Lembre-se que o aluno com TDAH conta com profissionais especializados neste transtorno.

• Evite o estigma conversando com seus alunos sobre as necessidades específicas de cada um, com transtorno ou não. Organizando o espaço – Monitorando o Processo

• A rotina e organização são elementos fundamentais para o desenvolvimento dos alunos, principalmente para os portadores de TDAH. A organização externa refletirá diretamente em uma maior organização interna. Assim, alertas e lembretes serão de extrema valia.

• Quanto mais próximo de você e mais distante de estímulos distratores, maior benefício ele poderá alcançar.

• Estabeleça combinados. Estes precisam ser claros e diretos. Lembre-se que ele se tornará mais seguro se souber o que se espera dele.

• Deixe claras as regras e os limites inclusive prevendo consequências ao descumprimento destes. Seja seguro e firme na aplicação das punições quando necessárias, optando por uma modalidade educativa, por exemplo, em situações de briga no parque, afaste-o do conflito porém mantenha-o no ambiente para que ele possa observar como seus pares interagem.

• Avalie diariamente com seu aluno o seu comportamento e desempenho estimulando a autoavaliação.

• Informe frequentemente os progressos alcançados por seu aluno, buscando estimular avanços ainda maiores.

• Dê ênfase a tudo o que é permitido e valorize cada ação dessa natureza.

• Ajude seu aluno a descobrir por si próprio as estratégias mais funcionais.

• Estimule que seu aluno peça ajuda e dê auxílios apenas quando necessário. Procedimentos facilitadores

• Estabeleça contato visual sempre que possível, isto possibilitará uma maior sustentação da atenção.

• Proponha uma programação diária e tente cumpri-la. Se possível, Transtorno de Déficit de Atenção e Hiperatividade (TDAH) 30 além de falar coloque-a no quadro. Em caso de mudanças ou situações que fogem a rotina, comunique o mais previamente possível.

• A repetição é um forte aliado na busca pelo melhor desempenho do aluno.

• Estimule o desenvolvimento de técnicas que auxiliem a memorização. Use listas, rimas, músicas, etc.

• Determine intervalos entre as tarefas como forma de recompensa pelo esforço feito. Esta medida poderá aumentar o tempo da atenção concentrada e redução da impulsividade.

• Combine saídas de sala estratégicas e assegure o retorno. Para tanto, conte com o pessoal de apoio da escola.

• Monitore o grau de estimulação proporcionado por atividade. Lembre-se que muitas vezes o aluno com TDAH pode alcançar um grau de excitabilidade maior do que o previsto por você, criando situações de difícil controle.

• Adote um sistema de pontuação. Incentivos e recompensas, em geral, alcançam bons resultados.

Integrando ao grupo:

• A integração ao grupo será um fator de crescimento. Esteja atento ao grau de aceitação da turma em relação a este aluno.

• Identifique possíveis parceiros de trabalho. Grandes conquistas podem ser obtidas através do contato com os pares. • Sua capacidade de liderança, improviso e criatividade são ferramentas que podem auxiliar no nivelamento da atenção do grupo e em especial do aluno com TDAH. Use o humor sempre que possível.

Realizando tarefas, testes e provas:

• As instruções devem ser simples. Tente evitar mais de uma consigna por questão.

• Destaque palavras-chaves fazendo uso de cores, sublinhado ou negrito.

• Estimule o aluno destacar e sublinhar as informações importantes contidas nos textos e enunciados.

• Evite atividades longas, subdividindo-as em tarefas menores. Reduza o sentimento de “eu nunca serei capaz de fazer isso”.

• Mescle tarefas com maior grau de exigência com as de menor.

• Incentive a leitura e compreensão por tópicos.

• Utilize procedimentos alternativos como testes orais, uso do computador, máquina de calcular, dentre outros.

• Estimule a prática de fazer resumos. Isto facilita a estruturação das ideias e fixação do conteúdo.

• Oriente o aluno a como responder provas de múltiplas escolhas ou abertas.

• Estenda o tempo para a execução de tarefas, testes e provas.

• A agenda pode contribuir na organização do aluno e na comunicação entre escola e família.

• Incentive a revisão das tarefas e provas. Contato com a família, deveres e trabalhos em casa

• Mantenha constante contato com a família. Tente utilizar as informações fornecidas por ela com o objetivo de compreender o seu aluno melhor.

• Procure nesses encontros enfatizar os ganhos e não apenas pontuar as dificuldades.

• Evite chamá-los apenas quando há problemas.

• Ajude seu aluno a fazer um cronograma de tarefas e estudos de casa. Isto poderá contribuir para minimizar a tendência a deixar tudo para depois.

• Tente anunciar previamente os temas e familiarizar o aluno com situações que posteriormente serão vivenciadas.

• Estimule a atividade física.

Como saber mais sobre TDAH?

Atualmente, já existe bastante material disponível sobre TDAH em formato de livros, livretos, aulas em vídeo, palestras na internet. A quantidade de informações em todas as fontes de comunicação é tão grande que é preciso ter muito cuidado ao tentar se familiarizar com um tema. Esse cuidado é necessário principalmente em relação a duas questões: – Como determinar se algo publicado (em revistas, livros, jornais, rádio, TV, internet, etc.) realmente traz informações confiáveis? – Mesmo sendo confiável, como selecionar o que ler e/ou estudar considerando que o volume de informações é cada vez maior e o tempo para aperfeiçoamento cada vez menor? Em relação à primeira pergunta, é importante estar atento às qualificações do interlocutor. Para páginas de internet, o ideal é buscar sempre os sites ou as páginas que representam uma associação, tais como o site da Associação Brasileira de Déficit de Atenção, ABDA (www.tdah.org). Caso queira saber informações sobre a confiabilidade de outros sites ou se existe fundamentação científica para qualquer afirmação que tenha lido ou que tenha ouvido em uma entrevista, é possível escrever um e-mail para a ABDA perguntando a opinião da associação sobre o assunto. Lembre que informação é um pouco como alimento, ou seja, dependendo da qualidade nos fará bem ou mal.

FONTE:http://www.tdah.org.br/images/stories/site/pdf/tdah_uma_conversa_com_educadores.pdf.

Acesso em 21/03/2017, às 13h53min.

MEU ALUNO É DISLÉXICO, O QUE FAZER?

Psicopedagogia: como ela pode ajudar?

Write by Eliane Costa Kretzer – Psicopedagoga

ALGUMAS DICAS E ORIENTAÇÕES PARA A ESCOLA NO TRABALHO COM ALUNOS DISLÉXICOS

  • Favorecer a comunicação usando frases curtas e concisas sem utilizar linguagem simbólica ou metafórica.

  • Colocar o aluno perto do professor e do quadro; supervisionar seus trabalhos e a sua organização.

  • Favorecer o diálogo certificando-se que haja uma compreensão do objetivo da aula, do raciocínio desenvolvido e dos fatos apresentados.

  • Não economizar tempo para constatar se ficaram claros os conceitos trabalhados: quando, onde e como?

  • Observar a integração entre os colegas, pois poderá ocorrer rejeição em provas em dupla e apresentação de trabalhos.

  • Ajudar no fortalecimento de seu ego e na construção de sua auto-estima.

  • Elaborar aulas com material visual, claro e criativo que chame a atenção.

  • Criar dicas, atalhos e associações para facilitar sua fixação de conteúdos.

  • Apresentar o conteúdo em partes de maneira indutiva e clara, evitando abordagens globais e dedutivas.

  • Usar sempre mais de um canal de aprendizagem e informação, com diferentes recursos audiovisuais.

  • Permitir o uso de gravador e recursos de informática.

  • Trabalhar com o erro de forma construtiva e não punitiva.

  • Elaborar exercícios com erros produzidos deliberadamente.

  • Valorizar sempre o desempenho individual e “tolerar” as dificuldades gramaticais como pontuação, acentuação e caligrafia.

  • Sempre que possível preparar avaliação individualizada com esquemas e gráficos que permitam a apresentação de seu conhecimento.

  • Dar oportunidade de refazer a prova oralmente.

  • Proporcionar interprete nas provas escritas.

Fonte: Estas são algumas das recomendações divulgadas pela Associação de Dislexia de Santa Catarina – Rua Desembargador Pedro Silva,79 – Blumenau – SC – CEP89012-150 – (47) 3222-0097)

Eliane Costa Kretzer – Setembro de 2013

Família e Escola: Focos Distintos na Aprendizagem

Família e Escola constituem Instituições fundamentais no desenvolvimento do comportamento humano. No entanto, a participação de cada Instituição como elemento formador em diversos contextos que aflijem o caráter humano ganha contornos obscuros, de modo que suas ações muitas vezes se interseccionam ou até se invertem, justificando críticas contundentes e, talvez, demandando profundas transformações.

O tema tem sido amplamente debatido por críticos e estudiosos de diversas áreas do conhecimento e setores da sociedade, conforme será abordado brevemente nos 2 trabalhos a seguir. O primeiro trabalho foi desenvolvido na Universidade de Brasília e publicado em 2007 no periódico Paidéia, produção do Programa de Pós-Graduação em Psicologia da Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras da Universidade de São Paulo. O segundo trabalho foi desenvolvido na Universidade Federal da Paraíba e publicado em 2004, no periódico Cadernos de Pesquisa, produção da Fundação Carlos Chagas.

1. A Família e a Escola como Contextos de Desenvolvimento Humano

Maria Auxiliadora Dessen e Ana da Costa Polonia

A escola e a família compartilham funções sociais, políticas e educacionais, na medida em que contribuem e influenciam a formação do cidadão (Rego, 2003). Ambas são responsáveis pela transmissão e construção do conhecimento culturalmente organizado, modificando as formas de funcionamento psicológico, de acordo com as expectativas de cada ambiente. Portanto, a família e a escola emergem como duas instituições fundamentais para desencadear os processos evolutivos das pessoas, atuando como propulsoras ou inibidoras do seu crescimento físico, intelectual, emocional e social. Na escola, os conteúdos curriculares asseguram a instrução e apreensão de conhecimentos, havendo uma preocupação central com o processo ensino-aprendizagem. Já, na família, os objetivos, conteúdos e métodos se diferenciam, fomentando o processo de socialização, a proteção, as condições básicas de sobrevivência e o desenvolvimento de seus membros no plano social, cognitivo e afetivo.

Compreendendo as Relações Família-Escola

Para compreender os processos de desenvolvimento e seus impactos na pessoa, é preciso focalizar

tanto o contexto familiar quanto o escolar e suas inter-relações (Polonia & Dessen, 2005). Por exemplo, o planejamento de pesquisa sobre violência na adolescência deve incluir tanto as variáveis familiares, que podem contribuir significativamente para a manutenção de comportamentos anti-sociais na escola, quanto as relacionadas diretamente com a escola, como o baixo desempenho acadêmico, que, aliadas aos fatores interpessoais, acentuam este problema (Ferreira & Marturano, 2002; Oliveira & cols., 2002). Outros exemplos bastante conhecidos são a evasão e repetência escolar. Sabe-se que a estrutura familiar tem um forte impacto na permanência do aluno na escola, podendo evitar ou intensificar a evasão e a repetência escolar. Dentre os aspectos que contribuem para isto estão as características individuais, a ausência de hábitos de estudo, a falta às aulas e os problemas de comportamento (Fitzpatrick & Yoles, 1992). Em todos estes fatores, a família exerce uma poderosa influência. Embora um sistema escolar transformador possa reverter esses aspectos negativos, faz-se necessário que a escola conte com a colaboração de outros contextos que influenciam significativamente a aprendizagem formal do aluno, incluindo a família (Fantuzzo, Tighe & Childs, 2000).

É importante ressaltar que a família e a escola são ambientes de desenvolvimento e aprendizagem humana que podem funcionar como propulsores ou inibidores dele. Estudar as relações em cada contexto e entre eles constitui fonte importante de informação, na medida em que permite identificar aspectos ou condições que geram conflitos e ruídos nas comunicações e, conseqüentemente, nos padrões de colaboração entre eles. Nesta direção, é importante observar como a escola e, especificamente, os professores empregam as experiências que os alunos têm em casa. Face à leitura, é muito importante que a escola conheça e saiba como utilizar as experiências de casa para gerir as competências imprescindíveis ao letramento. A interpretação de textos ou a escrita podem ser estimuladas pelos conhecimentos oriundos de outros contextos, servindo de auxílio à aprendizagem formal.

Os laços afetivos, estruturados e consolidados tanto na escola como na família permitem que os indivíduos lidem com conflitos, aproximações e situações oriundas destes vínculos, aprendendo a resolver os problemas de maneira conjunta ou separada. Nesse processo, os estágios diferenciados de desenvolvimento,

característicos dos membros da família e também dos segmentos distintos da escola, constituem fatores essenciais na direção de provocar mudanças nos papéis da pessoa em desenvolvimento, com repercussões

diretas na sua experiência acadêmica e psicológica; dependendo do nível de desenvolvimento e demandas do contexto, é possibilitado à criança, quando entra na escola, um maior grau de autonomia e independência comparado ao que tinha em casa, o que amplia seu repertório social e círculo de relacionamento. Neste caso, a escola oferece uma oportunidade de exercitar um novo papel que propiciará mecanismos importantes para o seu desenvolvimento cognitivo, social, físico e afetivo, distintos do ambiente familiar.

Apesar de a escola desenvolver aspectos inerentes à socialização das pessoas e ser responsável pela construção, elaboração e difusão do conhecimento, ela vem passando por crises vindas do cotidiano, que geram conflitos e descontinuidades como a violência, o insucesso escolar, a exclusão, a evasão e a falta de apoio da comunidade e da família, entre outros. Neste caso, o cenário político passa a exercer uma influência preponderante para a solução das crises, que extrapolam o cotidiano das escolas.

2. Modos de Educação, Gênero e Relações Escola-Família

Maria Eulina Pessoa de Carvalho

Uma escola pública de João Pessoa teve a idéia de elaborar uma cartilha para mostrar à comunidade escolar como o envolvimento dos pais na aprendizagem dos filhos, em casa e na escola, pode melhorar seu desempenho, na escola e na vida; e elaborou uma história em quadrinhos com três episódios. O primeiro episódio traz uma conversa entre vizinhas sobre os cuidados com os filhos. Maria diz a Luíza que, mesmo trabalhando o dia inteiro e mesmo sem saber ler, ela pode arranjar um tempinho e sentar com o filho para ver o dever de casa. Maria também dá a sua comadre a receita para menino muito “danado” na sala de aula, ou seja, para indisciplina escolar: depois que passou a dar mais atenção a seu menino em casa e a participar da vida dele na escola, ele melhorou muito. O segundo episódio se passa na sala de professores e baseia-se no pressuposto que quem tem tempo para procurar a professora é a mãe. Por isso, a professora pede a ajuda da mãe e não do pai:

Mãe: Professora Dalva, por que a senhora não está mandando o dever de casa pro

meu menino fazer?

Professora: Porque ele tem levado a tarefa de casa e volta sempre do mesmo jeito,

sem fazer.

Mãe: E o que eu faço se eu nem sei ler?

Professora: Quem tem de fazer a tarefa é ele. Mas a senhora pode sentar com ele na

hora de fazer a tarefa. Isso pode ajudá-lo a gostar mais de estudar e de fazer as

tarefas.

Mãe: E é?

Professora: Sim, Dona Luíza. A senhora pode ajudar muito o seu filho na escola se

cuidar do material escolar, da roupa e da comida dele.

Mãe: Mas pra que tudo isso?

Professora: Para seu filho se sentir mais querido e dessa forma ter mais interesse pela

escola. Eu lhe garanto que ele vai aprender muito mais e melhor.

O terceiro episódio mostra uma reunião de pais na escola. Há pais e mães, mas os pais estão em primeiro plano e quem fala é um pai que pede esclarecimentos à professora sobre obstáculos à aprendizagem. A professora, então, explica como os pais devem colaborar para superar os obstáculos.

O que esses episódios, retratados na cartilha, têm a ver com as relações de gênero? Para responder a essa pergunta, consideremos antes outras questões que configuram o contexto em que se situam esses episódios:

1. Por que o envolvimento dos pais na educação escolar é necessário e desejável?

2. Por que as professoras necessitam da cooperação dos pais para desempenhar seu trabalho pedagógico com

sucesso?

3. Por que as escolas estão chamando os pais a se envolverem na aprendizagem dos alunos e alunas em casa e na escola?

4. Quais as implicações da atual política educacional de incentivo à participação dos pais na educação escolar?

 

 

A Política de Envolvimento dos Pais na Escola

 

Do ponto de vista da escola, envolvimento ou participação dos pais na educação dos filhos e filhas significa comparecimento às reuniões de pais e mestres, atenção à comunicação escola-casa e, sobretudo, acompanhamento dos deveres de casa e das notas. Por outro lado, para os pais/mães, interessar-se pela educação dos filhos e filhas não significa cuidar apenas da parte acadêmica, isto é, do sucesso escolar, pois a educação, do ponto de vista da família, comporta aspectos e dimensões que não estão incluídas no currículo escolar. Ocorre que família e pais não são categorias homogêneas e as relações entre famílias e escolas, pais/mães (e outros responsáveis) e professoras/professores também comportam tensões e conflitos. Qual a explicação para a variação no envolvimento dos pais na escola? Se concordarmos, como algumas pesquisas estão sugerindo, que a participação dos pais na escola está relacionada ao desempenho escolar do estudante, ou seja, quanto maior o envolvimento destes na educação dos filhos e filhas, maior o aproveitamento escolar, temos de considerar as condições materiais e culturais das famílias e a disponibilidade de seus responsáveis. Pois há muito sabemos, embora haja exceções, que o fracasso escolar atinge as crianças das famílias mais pobres das escolas públicas mais carentes.

As Relações Política-Escola na Atual Política Educacional: Do Modelo de Delegação ao Modelo de Parceria.

No passado, a política educacional não englobava direta e explicitamente a educação familiar, subordinando a educação doméstica ao currículo escolar via dever de casa. Atualmente, porém, a política educacional está expandindo seu raio de ação para além da escola, formalizando as interações família–escola na escola pública, especificando a contribuição educacional da família para o sucesso escolar, e regulamentando as relações família–escola de acordo com um modelo particular de participação dos pais/mães na escola.

De acordo com o modelo tradicional de delegação, a divisão de trabalho educacional entre escola e família era clara: a tarefa da escola era a educação acadêmica, enquanto a da família era a educação doméstica – assim, as professoras não deveriam esperar da família mais do que cuidados físicos e emocionais para que a criança chegasse à escola preparada para aprender o currículo escolar. A tão falada crise da família – divórcios, pais e mães estressados, mães trabalhadoras, mães chefes-de-família sobrecarregadas, falta de tempo (em quantidade e qualidade) para convivência com os/as filhos/as – reduziu seu papel no cuidado físico e emocional, bem como na disciplina social e moral, requerendo das escolas a extensão de seu tradicional papel de instrução acadêmica e cívica a fim de englobar vários aspectos de assistência biopsicossocial. Nesse contexto, é inconcebível atribuir à família um papel na educação acadêmica. Parece razoável esperar que os pais/mães sejam parceiros, aliados das professoras, pois desejam o melhor para seus filhos/as – neste caso, o sucesso escolar. Porém, isso supõe certas condições (tempo, valorização da escola, interesse acadêmico, familiaridade com as matérias escolares e habilidades para ensinar o dever de casa, por exemplo), de que nem todas as famílias e nem todos os adultos responsáveis por crianças dispõem. Ademais, parceria supõe igualdade, e as relações escola–família são relações de poder em que as/os profissionais da educação (pesquisadoras/es, gestoras/es, especialistas, professoras/es) têm poder sobre os leigos (pais/mães).

A produção do fracasso escolar é intrínseca ao funcionamento de um sistema educacional que recebe indivíduos de origens culturais diversas, mas implicitamente adota um único modelo cultural. Conseqüentemente, políticas que não levam em conta esses mecanismos reprodutivos necessariamente promovem desigualdade educacional e social, ao fazerem demandas à família (via dever de casa), atribuindo aos pais/mães a responsabilidade pelo sucesso escolar dos filhos/filhas.

Diante da desigualdade social e educacional, a tarefa da escola é ensinar um currículo básico comum no seu próprio tempo-espaço e com seus próprios recursos, compensando (com tratamento pedagógico apropriado) as diferenças culturais (familiares, étnicas, de classe) dos estudantes e limitando a avaliação àquilo que o currículo escolar oferece explícita e sistematicamente. Ao invés de demandar a contribuição da família para a aprendizagem do currículo escolar, a escola deveria investir em práticas pedagógicas efetivas (Carvalho, 2000). Portanto, é preciso clarificar o significado da desejável parceria família–escola, pois parceria (mesmo reconhecendo-se que as relações família–escola são de interdependência) não significa identidade de atribuições.

Escrita cursiva…..qual o seu valor ?

Com a necessidade constante  de adaptação às novas exigências ambientais, novas tecnologias surgem. E, certamente, nossa necessidade de adaptação a elas. Consequentemente, o sucesso do avanço tecnológico nos torna dependentes desses inventos, nos obrigando a abandonar ou colocar em segundo plano habilidades até então consideradas indispensáveis para a nossa vivência em sociedade.

Nesta segunda-feira, 18 de Julho de 2011, o Jornal da Ciência, ferramenta de divulgação científica da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC), publicou uma nota sobre o abandono do ensino da escrita cursiva, tendência que já pode ser observada em Escolas de diversos Estados americanos.

Siga a notícia:

O estado de Indiana, localizado no Meio-Oeste americano, acabou com a exigência de que as suas escolas ensinem a escrita cursiva, aquele estilo de escrever em que as palavras são formadas com letras emendadas pelas pontas. Com isso, juntou-se a uma onda crescente nos Estados Unidos de privilegiar no currículo outras habilidades hoje consideradas mais úteis, como digitar textos em teclados dos computadores.

Com a mudança, Indiana alinha-se a um padrão comum de ensino adotado por 46 Estados americanos. Nele, não há nenhuma menção à escrita cursiva, mas recomenda-se o ensino de digitação. É um reconhecimento de que, com as novas tecnologias, como computadores e telefones inteligentes, as pessoas cada vez menos precisam escrever de forma cursiva, seja no trabalho ou nas suas atividades do dia-a-dia. Basta aprender a escrever com a mão – exigência que ainda faz parte do currículo de Indiana e dos padrões comuns adotados pelos estados – seja com letras de forma, cursiva ou um misto dos dois estilos.

Também é um reflexo do que muitos nos Estados Unidos veem como uma sobrecarga no currículo escolar, com tempo sempre insuficiente para ensinar disciplinas consideradas fundamentais para passar nos testes usados para admissão nas faculdades, como matemática e leitura de textos. Pesquisas nacionais sobre como o tempo é gasto nas salas de aula mostram que 90% dos professores da 1ª a 3ª séries do ensino primário dedicam apenas 60 minutos por semana ao desenvolvimento da escrita com a mão.

A tendência de abandonar o ensino da escrita cursiva é vista com preocupação por parte dos americanos. Para alguns, as novas gerações terão mais dificuldades para fazer atividades básicas, como preencher e assinar cheques. Outros ponderam que os jovens não serão capazes de ler a declaração de independência no original, toda escrita de forma cursiva, num argumento que apela para o patriotismo americano.

Richard S. Christen, professor da Escola de Educação da Universidade de Portland, no Estado do Oregon, é um dos que dizem que as escolas devem pensar duas vezes antes de suspender o ensino da escrita cursiva, embora ele considere cada vez mais difícil defender a tese de que essa é uma habilidade com valor prático.

Divulgação – Richard Christen, professor da Escola de Educação da Universidade de Portland. “Se você voltar ao século XVII ou XIX, seria impossível fechar negócios sem os escrivãos, que foram cuidadosamente treinados na técnica de escrever com as mãos para registrar os fatos”, disse Christen ao Valor. “Mas hoje o valor prático disso é bem menor.”

Ele pondera, porém, que a escrita cursiva também tem um valor estético em si mesma e diz respeito a valores importantes como civilidade. “A escrita cursiva é um jeito de as pessoas se comunicarem com as outras de forma elegante, valorizando a beleza”, afirma. “Essa é uma chance para as crianças fazerem algo com suas mãos todos os dias, prestando atenção para os elementos de beleza, como formas, contornos e linhas”, afirma. Além disso, estimula as crianças a prestarem atenção na forma como se dirigem e se comunicam com as outras pessoas.

Para o professor Steve Graham, da Universidade de Vanderbilt, uma das maiores autoridades americanas no assunto, a questão central não é necessariamente a escrita cursiva, mas sim preservar o espaço para a escrita à mão de forma geral no currículo.

Apesar de todo o barulho em torno das novas tecnologias, a realidade, afirma ele ao Valor, é que hoje a maioria das crianças nas escolas americanas ainda faz os seus trabalhos em sala de aula com as mãos, pois de forma geral ainda não existe um computador para cada uma delas. Num ambiente como esse, a boa grafia é crucial para o bom aprendizado e para o sucesso na vida acadêmica, ainda que no mundo fora das salas de aula predominem computadores, iPads e telefones inteligentes.

Pesquisa recente conduzida por Graham mostra que, se trabalhos escolares ou provas são apresentados numa grafia sofrível, as notas tendem a ser mais baixas, a despeito do conteúdo. “As pessoas formam opiniões sobre a qualidade de suas ideias com base na sua qualidade de sua escrita”, afirma Graham.

Nesse estudo, alunos escreveram redações, que foram submetidas em seguida a avaliações com notas entre 0 e 100. O passo seguinte foi pegar redações medianas, que tiveram nota 50, e reproduzir seu conteúdo em duas versões, uma com grafia impecável e outra com grafia sofrível, embora legível. Submetidas a uma nova avaliação, a conclusão é que a mesma redação mediana ganhou notas muito boas quando escrita com letras caprichadas e notas inferiores quando escritas com garranchos.

A habilidade de escrever à mão também tem influência sobre a capacidade da criança de produzir bons conteúdos na escrita. Velocidade é crucial. Quando a escrita se torna um processo automático, afirma Graham, as ideias fluem mais rapidamente do cérebro para o papel e, portanto, não se perdem no meio do caminho. Pessoas bem treinadas para escrever com as mãos fazem tudo de forma automática e não precisam pensar sobre o que ocorre com o lápis – e sobram assim mais neurônios para serem dedicados a coisas mais importantes, como refletir sobre a mensagem, organizar as ideias e formar frases e parágrafos.

São bons argumentos para não se abandonar o ensino da escrita à mão pela digitação. Mas qual técnica é mais importante: a cursiva ou a simples escrita à mão? Graham diz que a escrita em letras de forma é em geral mais legível do que a cursiva, mas a escrita cursiva é mais rápida do que a escrita em letra de forma. “As diferenças não são grandes o suficiente para justificar muito debate”, disse. “O importante é ter um estilo de escrita à mão que seja ao mesmo tempo legível e rápido.”

Mas no futuro, reconhece ele, o ensino da escrita à mão pode se tornar menos importante, à medida que ter um computador para cada aluno se torne algo universal. O ensino de digitação, por outro lado, torna-se cada vez mais relevante. “Eles são muito bons com seus telefones, com o twitter, mas não com os computadores”, afirma Graham.

No Brasil, educadores se dividem sobre benefícios – Pais decepcionados com o aprendizado dos filhos poderiam dizer que tudo não passa de um debate bizantino sobre se é melhor tentar decifrar garranchos escritos com letra de médico ou torpedos criptografados numa novilíngua que aboliu as vogais. De qualquer forma, as opiniões se dividem também entre os educadores brasileiros quando se discute a validade de um abandono do ensino da escrita em cursivo.

Para Telma Weisz, doutora em psicologia da aprendizagem e do desenvolvimento pela Universidade de São Paulo (USP) e supervisora pedagógica do Programa Ler e Escrever, do governo do Estado de São Paulo, “a escrita manuscrita é um resto da Idade Média”. “Do ponto de vista da aprendizagem, não há perda em não usar a manuscrita”, afirma. Segundo ela, a escrita cursiva ajuda o aluno a memorizar a forma ortográfica das palavras, mas um programa de computador processador de texto tem a mesma eficiência, “com mais recursos, aliás”.

Weisz diz que o problema não é desprezar a escrita cursiva e mergulhar de vez na digitação, e sim que “no Brasil não há condições de se fazer isso. Temos escolas onde não há luz, que dirá escola onde todos os alunos tenham um computador”.

João Batista Araujo e Oliveira, doutor em pesquisa educacional pela Florida State University (EUA) e presidente do Instituto Alfa e Beto, ONG dedicada à alfabetização, discorda de Weisz. “Há pesquisas que comparam crianças que aprenderam com a letra cursiva e que aprenderam no teclado, e quem escreve mais à mão grava mais a forma ortográfica da palavra”, diz.

No entanto, Oliveira não tem uma posição radical contra a política adotada pela maioria dos Estados americanos, de não obrigar o ensino do cursivo. “Essas coisas mudam mesmo, é inevitável. Sempre que você tem uma tecnologia nova você procura um meio mais eficiente de avançar. A letra cursiva, por exemplo, é um grande avanço em relação à letra de forma, porque o aluno não tira o lápis do papel.”

Oliveira acredita que antes de se fazer uma mudança dessas é preciso pensar nos “efeitos colaterais”, dando como exemplo a tabuada e a máquina de calcular. “Para pagar o táxi, o cafezinho, você tem que fazer conta de cabeça. Quem só ensina usando a calculadora priva o cidadão de uma competência que dá uma eficiência social muito grande.”

Luis Marcio Barbosa, diretor-geral do colégio Equipe, de São Paulo, descarta adotar a política na sua escola. “Há um conjunto de aprendizado que vem junto com o aprendizado da escrita cursiva que é imprescindível para o desenvolvimento das crianças, que tem a ver com a motricidade, com a organização espacial.” E, além de tudo, diz, “as crianças podem aprender as duas coisas, não precisa ser uma em detrimento da outra.”

(Valor Econômico)