Disgrafia

Analisada sob o ponto de vista gráfico, escrita é um movimento que fixa sinais sobre um suporte com ajuda de um instrumento próprio. É um gesto fino, combinação dos movimentos do braço e da mão inscrevendo letras que devem ser fixadas de um certo modo sobre tal suporte e, que reproduzem os sons que ouvimos ou que pronunciaríamos se disséssemos o que escrevemos. Requer, pois, de quem escreve, uma certa execução justa dos signos e uma representação dos sons imediata e exata.

Porém a organização do ato gráfico não é inata, a possibilidade de escrever que possui uma criança que processa a aprendizagem da escrita, é o resultado de lentas e essenciais aquisições no plano motor, perceptivo e simbólico.

A escrita exige de quem escreve a possibilidade de dispor do espaço gráfico segundo as regras de uso, ou seja, exercer sobre seus movimentos um controle visual permanente de modo que as letras estejam bem ajustadas nas palavras e essas sobre as linhas. Tal controle deve chegar a ser automático.

A execução motora da escrita exige maturação de Sistema Nervoso Central e Periférico e certo grau de desenvolvimento psicomotor. A tonicidade e a coordenação dos movimentos devem estar suficientemente estabelecidas para possibilitar a atividade da mão e dos dedos. Essa destreza do tipo motor se desenvolve à medida que a criança progride em sua vida escolar.

O aprendizado do grafismo da escrita é necessário porque os pequenos gestos não podem ser decididos por quem escreve, sendo um código comum às pessoas de mesma língua, o gesto deve corresponder à escrita do código. Apenas desta maneira é possível que a escrita adquira um valor de comunicação interpessoal. A escrita é um processo de caráter práxico, que ocorre quando o indivíduo realiza o traçado dos signos gráficos; e que está afetada de forma especial no transtorno disgráfico.

Por definição, disgrafia é o transtorno da escrita, de origens funcionais, que surge nas crianças com adequado desenvolvimento emocional e afetivo, onde não existem problemas de lesão cerebral, alterações sensoriais ou história de ensino deficiente do grafismo da escrita.

Portelano Pérez (1985) e Brueckner e Bond (1986) classificaram a disgrafia segundo a sua etiologia, embora tenham utilizado terminologias distintas, concordam em que há disgrafia do tipo maturativa, desenvolvida a partir de fatores próprios do desenvolvimento do indivíduo e há a disgrafia “provocada”, de causa pedagógica, cujo substrato é o ensino inadequado da escrita. Ambos, neste caso, reportam-se tanto ao excesso de exigência quanto à deficiente orientação no processo de aquisição do grafismo da escrita.

A criança disgráfica é vítima de transtornos que provém ora do plano motor, ora do plano perceptivo, ora do plano simbólico. A dificuldade de integração visual-motora dificulta a transmissão de informações visuais ao sistema motor. “A criança vê o que quer escrever, mas não consegue idealizar o plano motor”. Sua escrita é nitidamente diferente da escrita da criança normal, o que não acarreta homogeneidade no interior do grupo dos disgráficos. Disgrafia padronizada não existe, encontram-se diversos tipos de disgrafia, é como se a criança desenvolvesse seu problema de acordo com as modalidades que lhe são próprias, imprimindo-lhe estilo pessoal.

De modo geral a criança disgráfica apresenta uma série de sinais, ou manifestações como:

? má organização da página

? texto sem unidade, desordenado

? aspecto do conjunto “sujo”

? letras deformadas

? choques entre as letras

? traços de má qualidade

? letras corrigidas diversas vezes

? enlaces mal feitos

? espaços entre as linhas e palavras irregulares, linhas mal mantidas

? pouco grau de nitidez entre as letras

? dimensões exageradas (muito grandes ou pequenas)

? desproporção entre pernas e hastes.

? postura gráfica incorreta

? preensão e suporte inadequados dos instrumentos de escrita

? ritmo de escrita muito lento ou muito rápido

? dificuldades na escrita de números e letras

? dificuldades de imitar o que vê (martelar, amarrar sapatos, fazer mímicas)

? fenômenos dolorosos geralmente por hipertonia de mão e dedos

? dificuldades para copiar letras e outros símbolos pois não oferecem pista dos padrões motores que se deve usar

? desenhos distorcidos, mal colocados na folha, sem proporção ou planejamento e pobres em detalhes

? excessiva inclinação da folha ou ausência de inclinação

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Fonte: Site do Serviço de Neuropediatria do Hospital Pequeno Príncipe

http://www.neuropediatria.org.br

Escrito por Maria José Gugelmin de Camargo

Terapeuta Ocupacional e Especialista em Psicomotricidade e Psicopedagogia

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